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A indústria global encerrou 2013 com forte expansão, na medida em que grandes exportadores como os Estados Unidos, o Japão e a Alemanha registraram uma guinada na demanda por produtos, segundo apontaram pesquisas divulgadas ontem. Apenas a China manteve uma performance mais modesta.

Anos de relaxamento de política monetária, aliados ao bom desempenho do mercado de ações, parecem ter alavancado a confiança na economia. É uma boa notícia após os efeitos nocivos da crise financeira e da recessão que assolaram vários países.

De acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, em inglês) da empresa de informações financeiras Markit, a atividade manufatureira dos EUA cresceu em dezembro ao ritmo mais acelerado em 11 meses, ao mesmo tempo em que a expansão do emprego foi a mais forte desde março. Outros dados econômicos do país, incluindo os gastos em construção, também apontaram para ganhos.

"Temos uma série de números fortes. Há um sentimento de melhora", disse Scott Brown, economista-chefe da Raymond James, em St. Petesburg, na Flórida. "Já a Europa está dobrando a esquina. Não está mais contraindo. Os mercados emergentes também estão se saindo melhor. Estamos prevendo uma nova aceleração no crescimento neste novo ano."

Segundo a Markit, o PMI da indústria dos EUA avançou de 54,7 pontos em novembro para 55,0 em dezembro. Contudo, um outro indicador de atividade industrial teve leve freada. O índice do Instituto para a Gestão da Oferta (ISM) desceu para 57 pontos em dezembro, depois de ter atingido 57,3 pontos em novembro - mas ainda ficando muito acima dos 50 pontos referenciais para indicar crescimento do setor. Os gastos em construção, por sua vez, subiram 1,0%, a maior alta em quatro anos e meio.

Na zona do euro, a indústria cresceu em dezembro ao maior ritmo desde meados de 2011, sobretudo na Alemanha e na Itália. Segundo a Markit, o PMI do bloco subiu de 51,6 pontos em novembro para 52,7 em dezembro. A exceção foi a França, com recuo de 48,4 para 47 pontos. "A esperança para o zona do euro é de que a recente melhor na confiança econômica encoraje os negócios a ponto de elevar a criação de empregos e os planos de investimentos", disse Howard Archer, economista da IHS Global Insight.

Na Ásia, o Japão registrou a maior expansão em sete anos e meio, enquanto na China o PMI HSBC/Markit recuou para 50,5.

Fonte: Valor
Por Reuters

SÃO PAULO - A inflação ao consumidor na zona do euro suavizou em setembro. O índice de preços teve alta de 1,1% no mês passado, em relação a um ano antes, depois de avançar 1,3% em agosto, no mesmo tipo de comparação. Em setembro de 2012, a taxa era positiva em 2,6%.

Na União Europeia, a inflação foi de 1,3% em setembro, perante um ano antes, seguindo alta de 1,5% em agosto. No nono mês de 2012, houve elevação de 2,7%.

No mês passado, as menores taxas anuais foram observadas na Bulgária, Grécia e Letônia, com deflação de 1,3%, 1% e 0,4%, respectivamente. As taxas mais altas, por sua vez, foram registradas no Reino Unido (2,7%), Estônia (2,6%) e Holanda (2,4%).

Na passagem de agosto para setembro, a inflação foi de 0,5% na região do euro e de 0,4% na União Europeia.

FONTE: VALOR

A duas semanas do leilão de rodovias que inaugura o novo programa de concessões da presidente Dilma Rousseff, marcado para o dia 18 de setembro, o governo já pode colocar a garrafa de champanhe na geladeira. Tudo indica que haverá forte disputa em torno

dos dois primeiros lotes de estradas oferecidos ao setor privado: a BR-262 e a BR-050.

Reservadamente, para não expor suas estratégias nos leilões, consórcios já montados e potenciais investidores ouvidos pelo Valor confirmam o apetite do mercado por esses ativos. O entusiasmo, no entanto, perde força quando se trata dos demais trechos incluídos no Programa de Investimentos em Logística (PIL): todas as outras rodovias são alvo de questionamento pelas empresas interessadas nas concessões.

Os dois lotes da BR-163 - um no Mato Grosso e outro no Mato Grosso do Sul - são objeto das maiores preocupações. A BR-101, na Bahia, também causa apreensão no mercado. Ela já tem leilão agendado para o dia 23 de outubro. Em outros dois trechos - o da BR-153 e o da BR-060 -, consórcios apontam diferenças significativas entre o fluxo de veículos detectado pelos estudos do governo e pelos seus próprios levantamentos. Poucos trabalham com a possibilidade de fracasso dos leilões, mas a aposta dos investidores é de um cenário de menor concorrência nas rodovias licitadas a partir de outubro.

Apesar do esforço do governo em aumentar a atratividade dos leilões e garantir uma tarifa módica para os usuários, o fantasma de baixa concorrência na maioria dos lotes pode levar a pedágios superiores até mesmo aos de estradas concedidas no governo Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990. Auxiliares da presidente Dilma Rousseff apostam na competição dos leilões para baixar as tarifas máximas fixadas nos editais. Vencerá cada disputa quem apresentar o menor lance.

Rodovias da primeira etapa de concessões federais, que incluem a Nova Dutra e a Ponte Rio-Niterói, têm tarifa média de R$ 8,90 por cada 100 quilômetros de percurso, conforme aponta relatório reservado da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). Licitadas há mais de duas décadas, quando o país acabava de sair de um longo período de hiperinflação e ainda tinha pouca experiência nas concessões de infraestrutura, essas estradas têm pedágios que sempre foram criticados pelas administrações petistas. Agora, com exigências de altos investimentos nas duplicações em até cinco anos, as tarifas máximas dos leilões já ultrapassam os valores do passado.

O edital da BR-101, desenhado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), previa uma tarifa-teto com preço médio de pedágio que chegava a R$ 12,79 para cada 100 km. Após analisar as estimativas da agência, o Tribunal de Contas da União (TCU) reduziu esse valor em 6,3%, para uma tarifa média de R$ 11,98.

"O resultado não poderia ser outro", avalia o coordenador de infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos Campos. "Quanto mais exigências você coloca, mais o preço do pedágio aumenta", diz. Campos lembra que as concessões feitas durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2007 e 2009, envolviam rodovias já duplicadas ou com exigências de duplicação bem mais flexíveis que as atuais. "Isso barateou as tarifas, mas não resolveu os problemas de qualidade das estradas. Não deu certo."

O provável sucesso no leilão do dia 18 tende a desestimular o governo a fazer ajustes nos lotes seguintes

Em relatório distribuído recentemente a clientes, o banco Credit Suisse classifica como "atrativos" apenas as duas rodovias que serão leiloadas no dia 18, fazendo ressalvas para os demais trechos. "Os dois primeiros lotes aparentemente têm mais apelo", concorda o presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Duarte. Para ele, apesar do esforço do governo em melhorar o ambiente para os leilões, a deterioração do cenário econômico nos últimos meses levou investidores a recalibrar suas expectativas e desejar taxas de retorno ainda mais elevadas.

O Credit Suisse avaliou as demais rodovias como "desafiadoras", "razoáveis" ou "não atrativas". Para um executivo à frente de um dos consórcios, o provável sucesso no leilão do dia 18 tende a desestimular o governo a fazer ajustes nos lotes seguintes. "Vamos ficar com um discurso de empreiteiros gananciosos", resume, sob condição de anonimato.

A maior parte das dúvidas recai sobre a BR-163, que terá dois trechos repassados à iniciativa privada, no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Para os investidores, o problema está na provável migração de parte dos caminhões em direção ao Norte do país, com a pavimentação da estrada até o município de Santarém (PA). A conclusão das obras está prevista para 2014. Esse trecho continuará sendo administrado pela União, sem cobrança de pedágio, o que pode tornar o escoamento de grãos por essa via uma alternativa mais barata aos produtores da região.

De acordo com consórcios privados, os estudos do governo desconsideraram esse efeito, "inflando" a projeção de demanda em até 7% no lote da BR-163 que corta o Mato Grosso. Outro fator que desanima investidores é a distância dos principais centros produtores de insumos como asfalto e cimento, o que acaba encarecendo o custo das obras.

No trecho da BR-163 no Mato Grosso do Sul soma-se a dificuldade de duplicar 847 quilômetros de rodovia em uma área que corta boa parte do Pantanal e sofre com cheias durante o período de chuvas.

No caso da BR-101, na Bahia, o temor dos consórcios é que haja "fuga" de caminhões e outros veículos comerciais para rotas alternativas que deverão ter pedágios mais baratos. Quase paralelamente à rodovia que será concedida, a BR-116 tem tarifa média abaixo de R$ 3 para cada 100 quilômetros, menos de um terço do preço-teto da estrada que irá a leilão em outubro. Com isso, investidores avaliam que o desvio de tráfego torna-se uma ameaça concreta à projeção de receitas.

Outras duas rodovias que serão leiloadas também apresentam diferenças entre o tráfego apontado atualmente pelos estudos do governo e a quantidade de veículos detectada pelas empresas. Essas diferenças chegam a quase 30% na BR-153, entre Anápolis (GO) e Palmas (TO), e também foram observadas no trecho que engloba a BR-060.

Conforme explicam fontes do setor privado e do governo, a diferença de números tem origem no fato de que as medições de tráfego foram feitas em curto espaço de tempo, em vez de captar a movimentação de veículos durante um ano inteiro. Para atenuar distorções, os estudos contratados pelo governo aplicaram um "fator de sazonalidade", a fim de simular as variações da demanda durante os períodos mais e menos movimentados. Para as autoridades envolvidas nos preparativos dos leilões, isso sempre vai gerar divergências, mas não há indícios de erros de cálculo que mereçam alterações de última hora. Só a BR-040 e a BR-116, cujos leilões foram cancelados no início deste ano, estão tendo estudos refeitos.

Os grandes grupos voltados às concessões de infraestrutura ainda têm um motivo para dividir suas atenções ou, segundo as palavras de seus executivos, adotar o critério de "seletividade" em suas apostas. Eles também estão de olho em projetos de portos e nos leilões dos aeroportos de Galeão (RJ) e Confins (MG). Temem, em caso de vitórias em mais de uma rodovia, comprometer seus balanços em garantias corporativas na obtenção de financiamentos bancários e ficar amarrados para novas disputas.

Fonte: Valor
Por Daniel Rittner e André Borges | De Brasília

A previsão era que 2013 seria "o ano" para os investimentos públicos no setor de transportes. Depois de um desempenho anêmico em 2012, período contaminado pelos escândalos de corrupção deflagrados um ano antes, no que ficou conhecido como "a faxina dos Transportes", este ano deveria ser o momento da retomada. A pedido do Valor, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fez um balanço do desempenho dos investimentos realizados pela União no primeiro semestre deste ano. O resultado é frustrante.

Os dados usados são fornecidos pelo governo, por meio do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do Tesouro Nacional. Entre janeiro e junho deste ano, o governo conseguiu executar somente 22,9% de tudo o que reservou para gastar com obras em rodovias neste ano. O orçamento autorizado para 2013 chega a R$ 13,092 bilhões, mas o valor efetivamente gasto pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) só chegou a R$ 2,995 bilhões no período.

O resultado é inferior ao desempenho verificado no mesmo período do ano passado, quando o governo conseguiu executar 23,5% do orçamento de R$ 13,745 bilhões. É preciso destacar que, dos desembolsos realizados neste ano, quase 90% referem-se a pagamento de despesas realizadas em anos anteriores, ou seja, somente 10% está relacionado a novas obras.

A quitação de dívidas antigas também domina os pagamentos nas ferrovias da Valec. A estatal desembolsou R$ 679,4 milhões no primeiro semestre deste ano, o que equivale a 36% do valor total previsto para o ano. Desse montante, porém, quase 97% está atrelado a restos a pagar, ou seja, praticamente não houve desembolso de novas contratações.

"O que vemos claramente é que a expectativa que o governo tinha não se confirmou. Prometia-se uma forte execução pelas estatais neste ano, mas a realidade mostra cenário bem diferente", diz o coordenador de infraestrutura econômica do Ipea, Carlos Campos.

A situação não é diferente nos desembolsos para os portos e aeroportos ligados à União. Do ano passado para este ano, os recursos autorizados para os portos públicos e suas companhias docas saltaram de R$ 1,975 bilhão para R$ 2,388 bilhões. Por outro lado, a execução caiu de R$ 268,3 milhões verificados entre janeiro e junho de 2012, para apenas R$ 134,8 milhões neste ano, o que significa usar somente 5,6% de tudo o que está previsto para o ano. Na aviação civil, o orçamento anual manteve-se quase inalterado, com R$ 2,2 bilhões em caixa para investimentos, mas a execução, que chegou a 21,6% no primeiro semestre de 2012, caiu 12,7% neste ano.

Campos lista seis problemas que, historicamente, transformam o orçamento do Ministério dos Transportes em uma fantasia: ajustes frequentes de marcos regulatórios; projetos e contratos mal elaborados; intervenções do Tribunal de Contas da União (TCU); dificuldades com licenciamento ambiental; problemas com desapropriações e legislação complexa, que leva a constantes recursos à Justiça.

O pico dos gastos com transportes, apontam os dados do Siafi, ocorreu no último ano do mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2010, foram investidos R$ 17,5 bilhões para bancar obras de infraestrutura logística. Quando Lula assumiu o governo em 2003, Fernando Henrique Cardoso tinha desembolsado apenas R$ 5,3 bilhões para o setor no ano anterior.

Essa curva ascendente de investimentos, no entanto, é revertida a partir da gestão de Dilma Rousseff. Em 2011, o desembolso ficou em R$ 15,9 bilhões, caindo para R$ 12,8 bilhões no ano passado. O desempenho dos investimentos realizados neste primeiro semestre não dá espaço para uma perspectiva muito otimista para este ano, avalia o especialista do Ipea. "Não vemos perspectivas de mudanças no curto prazo. Tudo indica que 2013 vai repetir o desempenho do ano passado", afirma Campos.

Do lado do setor privado, os investimentos em transporte têm apresentado crescimento constante desde 2009, chegando a R$ 12,2 bilhões no ano passado. "Isso significa que, por ano, o Brasil tem alocado um total de R$ 25 bilhões em infraestrutura logística. É pouco, perto do necessário", diz Campos. "A Empresa de Planejamento e Logística (EPL) tem afirmado que é necessário investir R$ 100 bilhões por ano para recuperar a malha do país", diz Campos.

Segundo o coordenador do Ipea, o Brasil tem investido 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor de transportes, enquanto os demais países do grupo dos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) gastam, em média, entre 3,2% e 3,4% do PIB na melhoria logística. As novas concessões de rodovias, ferrovias e aeroportos para o setor privado poderão elevar os investimentos em transportes em 2014, avalia o Ipea, com possibilidade de chegar a R$ 44,5 bilhões. "Ainda ficaríamos numa média de 1% do PIB. Isso demonstra como ainda temos que caminhar nessa área;"

Fonte: Valor

Por André Borges | De Brasília

PEQUIM - A China atraiu US$ 8,5 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) em novembro, valor que superou em 2,35% o montante registrado no mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério do Comércio.

O valor superou o obtido em outubro deste ano, US$ 8,42 bilhões, que havia ficado 1,24% acima de outubro de 2012.

O IED acumulado entre janeiro e novembro cresceu 5,48% sobre o mesmo período de 2012, para US$ 105,5 bilhões.

Já os investimentos não financeiros realizados pela China no exterior cresceram 28,3% no acumulado entre janeiro e novembro em relação ao mesmo período do ano passado, para US$ 80,2 bilhões.

Fonte: Valor

Fabricante de ar condicionado vai investir R$ 115 milhões, diz Luiz Carlos Cabral

Depois de ensaiar a instalação de uma fábrica no Brasil por alguns anos, a indústria de ar condicionados japonesa Daikin acelerou seus planos para o país e está investindo R$ 115 milhões em duas unidades fabris, uma em Manaus (AM), com aporte inicial de R$ 100 milhões, e outra em Mogi das Cruzes (SP), com desembolso de R$ 15 milhões.

 

A companhia produz aparelhos de ar condicionado residenciais e comerciais e equipamentos e sistemas de refrigeração, aquecimento e tratamento de ar para ambientes maiores e resolveu apressar a produção local após a elevação de impostos para importação de produtos de seu setor, no ano passado.

Segundo Luiz Carlos Cabral, vice-presidente executivo de Vendas da Daikin no Brasil, a elevação da alíquota de 14% para 25% inviabilizou a importação de alguns tipos de ar condicionados, como os splits frios residenciais. Esses produtos fazem parte da lista de itens com impostos de importação elevados pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em uma medida de proteção da indústria nacional.

"O importador sofre mais do que quem tem fábrica no país", disse Cabral. Ainda que a elevação do imposto deixe de vigorar, a empresa diz que a incerteza sobre eventuais novos aumentos justifica a decisão de acelerar a instalação das fábricas. A Daikin espera que a produção local corresponda por 30% de suas vendas em 2014 e 80% em 2016

A Daikin agora pretende se fortalecer rapidamente no mercado brasileiro, onde já atua há dois anos e meio com alguns produtos, e entrar em segmentos nos quais ainda não está presente. A ambição é assumir uma posição relevante no mercado em três anos. Cabral afirma que a empresa vê grande potencial no mercado brasileiro, que ainda representa pouco da receita global do grupo, de US$ 13,8 bilhões no ano passado e estimada em US$ 18 bilhões neste ano.

A associação que representa o setor no país, a Abrava, prevê faturamento de R$ 29 bilhões neste ano para a indústria de equipamentos e serviços de refrigeração, ventilação e aquecimento, 8% acima do valor do ano passado.

Em Mogi das Cruzes, a Daikin deu início à produção em agosto. Inicialmente, opera em um ritmo de duas mil máquinas ao ano, mas espera triplicar o volume em 2014. A companhia produz no local unidades de tratamento de ar, usadas em prédios industriais, administrativos e comerciais. Até então, não comercializava esses produtos no país, cujo mercado é liderado pela norte-americana Carrier, presente no Brasil há 30 anos. Em uma segunda etapa, pretende fabricar resfriadores de líquidos. A Daikin já vende estes produtos do Brasil, mas importa de suas unidades fabris na Itália e nos Estados Unidos.

Em Manaus, pretende começar a produzir equipamentos de refrigeração de menor porte, para residências e estabelecimentos comerciais, em junho do ano que vem, quando a unidade será inaugurada. O objetivo é terminar o ano fiscal de 2014, em março de 2015, com 80 mil unidades. No ano seguinte, com 12 meses inteiros, a meta é chegar a 160 mil unidades, segundo Cabral. "No mercado residencial, queremos pelo menos 15% de participação", diz.

A princípio, a Daikin fabricará na nova unidade os splits convencionais e de alta eficiência, que reduzem o consumo de energia. Em um segundo momento, com novos investimentos, pretende produzir também o VRV, sigla para volume refrigerante variável, que é um tipo de ar condicionado central criado pela empresa em 1982, no Japão.

As novas fábricas elevam de 150 para 700 o número de empregos diretos na companhia, segundo Cabral, e exigirão investimentos em venda dos produtos. No momento, a empresa estuda a instalação de centros de distribuição em locais estratégicos no Sudeste, no Norte e no Nordeste. A empresa tem cinco escritórios no país e no ano que vem, abrirá mais três, em Salvador, Brasília e Fortaleza.

Fonte: Valor

As exportações de bens e serviços dos Estados Unidos bateram um novo recorde em outubro, refletindo o aumento da competitividade da indústria americana e a recuperação moderada da economia global. As vendas externas atingiram US$ 192,9 bilhões , 1,8% a mais do que em setembro, na série livre de influências sazonais. Com essa alta das exportações e importações praticamente estáveis, o déficit comercial caiu 5,4%, para US$ 40,6 bilhões. As vendas de petróleo também tiveram alta forte.

O aumento de 6,8% das exportações de bens de consumo, excluindo veículos, evidencia o bom momento da indústria americana. Com ganhos de competitividade decorrentes de fatores como a energia barata, devido aos baixos preços baixos do gás natural, e aos custos salariais sob controle, o setor manufatureiro vive um renascimento nos EUA.

Para Jennifer Lee, economista-sênior da BMO Capital Markets, a indústria mais competitiva é de fato um dos motivos para o avanço das exportações americanas. Ela cita também a moeda mais desvalorizada, observando que a taxa de câmbio, ajustada pela inflação dos principais parceiros comerciais dos EUA, se depreciou pelo terceiro mês seguido. Com isso, os produtos americanos ficam mais baratos.

Jennifer destaca também o efeito da retomada da economia global sobre as exportações dos EUA. Ainda que gradual, a Europa deixou o pior momento para trás, e alguns indicadores econômicos chineses têm sido positivos. Em outubro, as vendas externas dos EUA para a União Europeia ficaram quase 7% acima das registradas no mesmo mês do ano passado (não há números com ajuste sazonal para fazer a comparação adequada com o mês imediatamente anterior).

Para a China, a alta foi ainda mais forte, superando 20%, o que levou as exportações para o país asiático a alcançarem o recorde mensal de US$ 13,1 bilhões. Ainda assim, os EUA tiveram um déficit de US$ 28,9 bilhões nas transações de bens e serviços com a China. Esse rombo tem diminuído, porém - há um ano, tinha ficado em US$ 29,4 bilhões.

Para a economista da BMO, os sinais da retomada da economia global são encorajadores para as exportações americanas. "O comércio exterior pode contribuir positivamente para o crescimento dos EUA no quarto trimestre", acredita ela. Também vão bem as vendas americanas para o Canadá e o México, os dois parceiros no Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), Em outubro, as vendas para esses dois países foram de US$ 48 bilhões, 4% acima do registrado 12 meses antes.

As vendas de insumos e materiais industriais também tiveram uma alta significativa em outubro, de quase 5% em relação a setembro. Os produtos de petróleo, que fazem parte dessa categoria, subiram 6%. Os EUA vivem um boom no setor, com a produção crescendo a taxas expressivas, com grande destaque para o petróleo de xisto. Com isso, diminui o déficit desse item na balança comercial, já que o país também reduz as suas necessidades de importar a commodity. "O déficit do petróleo tem em geral declinado, e é o principal motivo para a redução do déficit total desde o começo de 2012", como diz o economista Bill McBride, no influente blog Calculated Risk.

McBride também destaca o bom momento das exportações americanas. "Elas estão 16% acima do pico atingido antes da recessão e 5% superiores ao nível de outubro de 2012", escreveu ele. As importações, por sua vez, estão um pouco acima do nível máximo alcançado antes da recessão, e 4% acima de outubro do ano passado. "De modo geral, parece que o comércio exterior está se recuperando um pouco novamente", avalia ele.

De janeiro a outubro deste ano, o déficit comercial americano ficou em US$ 402,1 bilhões, mais de 10% abaixo dos quase US$ 450 bilhões do mesmo período de 2012. Ainda que elevados, os números atuais mostram que o país deixou no passado os rombos comerciais recordes. Em 2006, por exemplo, o buraco superou US$ 750 bilhões.

Fonte: Valor

O Imposto de Importação de algumas matérias-primas básicas poderá cair para conter a inflação, disse na sexta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele confirmou que o governo estuda antecipar a redução das alíquotas, que ocorreria em setembro, para compensar os efeitos da alta do dólar nas últimas semanas.

 

Em setembro de 2012, o governo elevou a tarifa sobre insumos como aço, fertilizante, produtos químicos, vidros e laminados por 12 meses para estimular a produção nacional dessas matérias-primas e facilitar a competição com os importados. No entanto, segundo Mantega, o dólar mais caro diminuiu a necessidade da medida protecionista.

"O dólar está flutuando, mas, neste momento, está mais valorizado do que naquela época [setembro do ano passado]. Desta maneira, ele acaba criando uma defesa natural para esse tipo de insumo", disse o ministro. Segundo ele, ainda não se definiu qual será a redução das alíquotas. "Isso vai depender do comportamento do dólar e será discutido com cada setor", acrescentou.

O ministro ressaltou que a medida não será imediata e que o governo precisa ainda verificar em qual nível a moeda norte-americana vai se estabelecer com as perspectivas de que o Federal Reserve (Fed), aumente os juros e reduza as injeções de dólares na maior economia do planeta. "Vamos observar. Daqui até setembro, vamos ver se o dólar se fixa em outro patamar e, a partir disso, vamos definir para onde vai o Imposto de Importação", explicou.

Em relação à inflação, Mantega disse que, quando o governo decidiu aumentar as tarifas dos insumos importados, negociou com os setores o compromisso de que os empresários nacionais não elevariam os preços. "Dois fenômenos aconteceram. Primeiro, algumas empresas reajustaram os preços de fato [descumprindo o acordo]. Segundo, a turbulência causada pelo Fed está desvalorizando o real", declarou.

Fonte: Diário do Comércio e Indústria

SÃO PAULO  -  A Marfrig Alimentos S.A. informou hoje à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a nova estrutura organizacional de sua divisão Marfrig Beef, que entra em vigor a partir de 1º de setembro. Segundo o comunicado, a área será dividida em duas unidades operacionais: Brasil e Cone Sul.

A divisão de negócios, que era comandada por James Cruden, não terá mais CEO.

Na nova estrutura, Andrew Murchie manterá sua posição de CEO da Marfrig Beef Brasil e Martín Secco assumirá como CEO da Marfrig Beef Cone Sul (que reúne as operações na Argentina, Chile, Uruguai, Rio Grande do Sul e Pampeano).

 

De acordo a empresa, os executivos vão se reportar diretamente a Sérgio Rial, que, até 1º de janeiro de 2014, deve assumir como diretor-presidente do grupo Marfrig no lugar do fundador Marcos Molina, que ficará na presidência do conselho de administração do grupo. Ainda conforme o comunicado, James Cruden, que irá se aposentar, fica no cargo até 31 de agosto,

A Marfrig informou ainda que o formato de divulgação das informações financeiras manterá o atual padrão, com dados da divisão Marfrig Beef.

Fonte: Valor

Por Alda do Amaral Rocha e Luiz Henrique Mendes | Valor

BRASÍLIA  -  As exportações brasileiras em agosto aumentaram na comparação com igual mês do ano passado na maior parte dos blocos econômicos listados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Avançaram as vendas para os Estados Unidos, com alta de 0,7%; para a África, com expansão de 4,8%; e para a Europa Oriental, com aumento de 6,3% nas exportações brasileiras para a região.

Para a Ásia, foi verificado um avanço de 9,1% nas exportações em agosto, sendo que, para a China, a alta foi de 23,3%.

Alguns países e blocos compraram menos produtos brasileiros em agosto, na comparação com igual mês do ano passado. Foi o caso da União Europeia, para onde as vendas caíram 10,9%, e Oriente Médio, com queda de 15,8%.

Os embarques de bens nacionais para América Latina e Caribe ficaram 4,4% menores na mesma comparação, sendo que, para o Mercosul, houve um aumento de 8,1%, incluindo a alta de 13,7% no caso da Argentina.

As comparações divulgadas nesta segunda-feira, 2, pelo Mdic são pelo método de média diária, que considera os dias úteis em cada período.

Fonte: (Thiago Resende e Lucas Marchesini | Valor)

O Mercosul já avisou a União Europeia (UE) que o acordo birregional de livre comércio precisará ter diferentes velocidades de liberalização por causa de seu sócio mais recente, a Venezuela, conforme o Valor apurou. Formalmente, o Mercosul mencionou há algum tempo aos europeus somente a situação da Venezuela, que ainda está aderindo à Tarifa Externa Comum (TEC) e necessitará mais prazo para abrir seu mercado no âmbito de um futuro acordo entre os dois blocos.

 

No entanto, prospera o sentimento entre importantes negociadores sobre a importância da fórmula pela qual os membros do Mercosul aderem a um conjunto comum de regras na negociação com a União Europeia, mas adotam compromissos de liberalização mais rápidos ou mais lentos, algo possível inclusive pela falta de harmonização da TEC. Essa flexibilidade é considerada inevitável por esses negociadores, até por causa da persistente resistência da Argentina a compromissos de abrir seu mercado.

Por isso, o Brasil vem sinalizando no Mercosul que está disposto, se o vizinho portenho "precisar", a considerar formalmente a velocidade diferenciada no acordo com os europeus. A ideia é dar conforto para os argentinos protegerem por mais tempo seus setores sensíveis e, ao mesmo tempo, não impedir o acordo e prejudicar os sócios do bloco. O que interessa mais aos europeus é o mercado brasileiro, mas a UE não quer ser vista como enfraquecedora do Mercosul. Assim, é o bloco do cone sul que precisará formalizar a proposta de velocidade variada.

"A importância dessa fórmula é a chave para as negociações UE-Mercosul serem retomadas de maneira séria", diz o professor Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos (Sciences Po) de Paris e presidente do conselho consultivo da UE-Brasil, entidade que há tempos propôs alternativas para a negociação sair do impasse. "Agora a questão é se a Argentina aceita essa fórmula ser aplicada no acordo com os europeus".

Na verdade, tanto a UE como o próprio Mercosul já têm acordos com aplicação variada de liberalização de seus mercados. Pelos entendimentos que o Mercosul tem com parceiros na América Latina, como Colômbia e Peru, cada membro do bloco assumiu calendário diferenciado de redução de tarifa de importação. Igualmente no acordo entre Mercosul e Índia, na fase final o Paraguai reclamou que não tinha obtido nada. Os indianos abriram uma cota tarifária (importação de determinada quantidade com tarifa menor) para soja paraguaia.

Para a negociação com a UE, o Mercosul precisa completar sua oferta de abertura do mercado. O Uruguai já teria sua proposta, o Brasil espera aprovar a sua no dia 28 na Câmara de Comércio Exterior (Camex) e a Argentina avisou que entrega sua oferta em setembro. Depois o Mercosul se reunirá para harmonizar uma proposta, provavelmente após as eleições na Argentina no fim de outubro.

Para se dar uma ideia do interesse por acordo comercial no Mercosul, basta ver uma tentativa mais modesta, com o Canadá. Foi aberto um "diálogo exploratório" que produziu um roteiro possível para negociação. Cada país ficou de analisar seu interesse. Até agora, apenas Brasil e Uruguai declararam que estão prontos a negociar. Por conta do pouco entusiasmo argentina, agora o próprio Canadá parece estar em dúvidas.

Por outro lado, o Paraguai, suspenso do Mercosul, procura no momento acelerar negociação com a Aliança do Pacífico (Colômbia, México, Peru, Chile e agora Costa Rica). Assim, quando voltar ao Mercosul poderá estar também em outro acordo na região.

Fonte: Valor
Por Assis Moreira | De Genebra

TÓQUIO  -  As exportações do Japão cresceram 18,4% em novembro ante o mesmo mês do ano passado , para 5,091 trilhões de ienes, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério de Finanças. Foi o nono mês consecutivo de expansão das vendas realizadas ao exterior, com o desempenho das exportações de produtos industrializados tendo sido alavancado pelo enfraquecimento do iene, em meio às políticas de estímulo monetário implementadas pelo Banco do Japão desde abril.

O desempenho das exportações japonesas é essencial para a perspectiva econômica do país, tendo em vista que o aumento da alíquota de tributação do consumo, em abril de 2014, deve afetar o consumo doméstico, que tem sido uma variável fundamental da recuperação do Japão.

O crescimento das exportações em novembro foi superior à mediana das estimativas dos economistas ouvidos pela Dow Jones Newswires, que apontava uma expansão de 17,3% para o período. Em termos de volume, um indicador visto como mais significativo do desempenho das exportações, o crescimento foi de 6,1% - o segundo mês consecutivo de ganho -, após um avanço de 4,4% em outubro. O aumento do volume de exportações em novembro foi o mais acentuado desde maio de 2012.

Apesar do bom desempenho das exportações, a balança comercial japonesa apresentou déficit em novembro, pelo 17º mês consecutivo. O déficit do mês foi de 1,293 trilhão de ienes, em alta de 35,1% ante novembro do ano passado – valor recorde para novembro desde o início da série histórica, em 1979. A estimativa de déficit dos economistas pa ra o mês, contudo, era ainda maior: um resultado negativo de 1,336 trilhão de ienes.

Os custos de importação de insumos energéticos continuam a pressionar a balança comercial japonesa, desde que o país decidiu manter fora de operação as usinas nucleares do país, em razão de preocupações desencadeadas pelo efeito do terremoto de março de 2011 sobre a usina de Fukushima. O déficit comercial do Japão entre janeiro e novembro já supera a marca de 10 trilhões de ienes, bem acima do déficit recorde, verificado no ano passado, de 6,375 trilhões de ien es.

Em novembro, as importações japonesas, como um todo, cresceram 21,1% ante o mesmo mês do ano passado.

Fonte: Valor
Por Dow Jones Newswires | Valor

Decepção dos produtores com os resultados obtidos na safrinha de milho do ciclo 2012/13 reforça a opção pela soja.

A poucas semanas do início do plantio de verão da safra de grãos de 2013/14 no Paraná, o perfil do novo ciclo começa a ganhar contornos mais nítidos.

A expectativa dos produtores é que a área de soja avance sobre a de milho, já que em 2012/13 o cereal acabou "espremido" por uma oferta ampla, preços baixos e custos elevados para o escoamento da colheita.

Na safra de verão 2012/13, os agricultores paranaenses colheram 7,1 milhões de toneladas de milho, com a saca de 60 quilos negociada entre R$ 22 e R$ 23. Na safra de inverno, mais robusta, foram colhidas 10,9 milhões de toneladas, mas a cotação média caiu para R$ 17,50 por saca, patamar próximo do preço mínimo estabelecido pelo governo federal, de R$ 17,46.

Segundo Flávio Turra, gerente técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), a confirmação desse cenário de menor aposta no milho depende dos preços nas próximas semanas, mas o fato é que os ganhos mais polpudos da soja na última temporada serão o fiel da balança. "Na safra 2012/13, o preço da soja pago ao produtor ficou entre R$ 55 e R$ 56 por saca no Estado, enquanto o custo operacional variou de R$ 38 a R$ 40, o que resultou em uma margem bem razoável", diz.

Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita brasileira de grãos totalizou cerca de 186 milhões de toneladas em 2012/13 - 37,3 milhões no Paraná, segundo maior produtor do país, atrás de Mato Grosso. A temporada 2013/14 já começou no Estado, onde a colheita de trigo está no início e a produção tende a ser cerca de 30% menor por conta das geadas de julho. Em todo o país, a expectativa é que a produção de grãos em 2013/14 alcance 200 milhões de toneladas, capitaneada pela soja.

Diferentemente de Mato Grosso, onde grandes produtores e empresas agrícolas são os protagonistas no campo, no Paraná esse papel cabe às cooperativas. Uma das maiores do Estado, a Cocamar, com sede em Maringá, prevê aumento de 2% no plantio de soja em sua área de atuação, para 636 mil hectares. Emerson Nunes, coordenador técnico de culturas anuais, explica que o avanço não será maior porque a Cocamar atua em áreas "bem estabilizadas", sem tanto potencial de crescimento - o plantio de milho já representa menos de 20 mil hectares no plantio de verão da cooperativa.

A tendência, porém, é que os produtores também tenham margens menores com a soja. A Cocamar prevê uma rentabilidade de cerca de R$ 1.700 por hectare em 2013/14, ligeiramente abaixo dos R$ 1.730 da safra anterior - isso caso a oleaginosa permaneça em R$ 60 por saca, em média. Conforme Turra, da Ocepar, os preços talvez fiquem mais perto de R$ 50 do que de R$ 60 e os custos devem subir, mas nada capaz de impedir uma boa lucratividade.

Para o milho o cenário ainda é turvo, mas as perspectivas iniciais são pessimistas, especialmente após os resultados da safrinha de inverno de 2012/13, cuja colheita já está no fim. Para efeito de comparação, os ganhos contabilizados pelos cooperados da Cocamar com a segunda safra de milho vão recuar de R$ 1.030 por hectare, em 2012, para R$ 548,00 este ano.

Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Paraná, lembra que cresce também a expectativa que o plantio de feijão avance no Estado. "O preço do feijão no último ano tem se estabilizado em patamares elevados, o que pode fazer o grão concorrer por áreas antes ocupadas pelo milho", previu. Na safra 2012/13, a colheita da primeira safra paranaense de feijão totalizou 300,6 mil toneladas, 14% menos que no ciclo anterior.

Além das disputas por área entre os grãos, questões relacionadas à infraestrutura seguem no radar dos produtores do Paraná. Embora o Estado tenha custos logísticos inferiores aos de Mato Grosso - uma vantagem competitiva importante, favorecida pelo porto de Paranaguá -, a escassez de armazenagem pode trazer transtornos na próxima safra.

A capacidade de armazenagem no Paraná é de 28 milhões de toneladas e o Estado tem déficit de 10 milhões, administrável em safras "normais". "Mas, se houver uma retenção grande do milho da safrinha, podemos ter dificuldades para armazenar a safra de verão", alerta Turra.

Não por acaso, a Coamo, maior cooperativa da América Latina, com sede em Campo Mourão, anunciou nesta semana investimentos de R$ 465 milhões até 2015 para modernizar e ampliar 67 unidades, para reduzir o déficit de armazenagem e agilizar o recebimento de produtos. Com os recursos, também serão erguidas quatro novas unidades.

Em recente entrevista ao Valor, José Aroldo Gallassini, presidente da Coamo, previu que esses investimentos elevarão em quase 10% a capacidade de armazenagem do grupo. Hoje, a cooperativa pode estocar 84 milhões de sacas. "Esse aumento é para evitarmos aluguel de armazém e remoção de produto na época em que o frete está nas alturas".

Na comercialização, a lentidão é notória no Paraná. Além da baixa liquidez do milho, as vendas antecipadas de soja estão atrasadas. Até agora, a Cocamar negociou 10% do que deverá colher no início do ano que vem, ante 20% na mesma época de 2012. Em parte, o atraso reflete a possibilidade de os preços do grão subirem com as adversidades que marcam o fim do desenvolvimento das lavouras da safra 2013/14 nos EUA. Mas, para as próximas semanas e meses, a tendência é de baixa.

Já o clima tende a se manter "neutro" durante o plantio de grãos, sem influência de La Niña ou El Niño. "Os mapas não apontam secas prolongadas, de 50 ou 60 dias. Mas haverá períodos de estiagem, intercalados com chuvas de média a forte intensidade", afirma Garrido, do Deral.

Fonte: valor
Por Mariana Caetano | De São Paulo

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 26, DE 18 DE JULHO DE 2013 / MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO

GABINETE DO MINISTRO / DOU de 19/07/2013 (nº 138, Seção 1, pág. 3)

O MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição, tendo em vista o disposto no Decreto nº 5.741, de 30 de março de 2006, no Decreto nº 24.548, de 3 de julho de 1934, e o que consta do Processo nº 21000.003073/2013-56, resolve:

Art. 1º - Alterar o art. 1º da Instrução Normativa nº 6, de 22 de fevereiro de 2010, que passa a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 1º - Declarar os Estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais, do Mato Grosso do Sul, do Mato Grosso, de Goiás, de Tocantins, do Rio de Janeiro, do Espírito Santo, da Bahia, de Sergipe, de Rondônia, do Acre, o Distrito Federal e os Municípios de Guajará, Boca do Acre, Canutama e Lábrea do Estado do Amazonas, como zona livre de Peste Suína Clássica - PSC." (NR)

Art. 2º - Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.

ANTÔNIO ANDRADE

BRASÍLIA  -  O Ministério dos Transportes informou, em levantamento divulgado na tarde desta quinta-feira (26), que 28 trechos de rodovias federais estão com interdições parcial ou total em consequência das fortes chuvas dos últimos dias. Ao todo, 35 trechos de rodovias federais foram afetados, mas sete já tiveram o trânsito de veículos liberado.

 

O estado do Espírito Santo soma o maior número de interdições (16), com apenas dois trecho liberados até agora. Minas Gerais registrou 15 bloqueios, mas quatro deles já tiveram o fluxo liberado. Três trechos na Bahia ainda estão interditados e um, no Rio de Janeiro, já foi liberado.

Entre os problemas registrados estão alagamentos, erosão, quebra de barreira e rompimento da rodovia causado por enxurradas. Em alguns trechos, equipes do Departamento Nacional Infraestrutura de Transportes (Dnit) estão trabalhando no reparo e em desvios.

Fonte: Valor
Por Rafael Bitencourt

País vizinho anunciou o cumprimento dos requisitos fitossanitários para exportação da fruta. O Brasil é o terceiro maior produtor de banana do mundo, com produção de 7,5 milhões de toneladas por ano, atrás da Índia e da China

O Ministério da Agricultura estuda um meio para barrar ou ao menos adiar a importação de banana do Equador. O ministro Antônio Andrade propôs uma articulação com os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE) para impedir a entrada imediata dos produtores do país nomercado do Brasil. O país vizinho anunciou ter cumprido osrequisitos fitossanitários que o tornam apto a exportar a fruta para o Brasil, de acordo com o que prevê a Organização Mundial do Comércio (OMC), e pressiona as autoridades brasileiras para liberar e entrada do fruto.=

 

Os bananicultores nacionais alegam que, além de ter a produção subsidiada pelo governo, a fruta equatoriana é portadora de doenças que podem causar grandes estragos à produção do Brasil. Um relatório técnico apresentado a Andrade alerta para o risco da importação de pelo menos seis pragas de efeitos devastadores para a cultura no País, além de um fungo altamente resistente aos pesticidas aplicados no controle da sigatoka-negra, doença já instalada no Brasil. Os bananais do Equador recebem 40 pulverizações com defensivos químicos por ano, quatro vezes mais que os brasileiros.

Nesta quinta-feira (11/7), o ministro da Agricultura recebeu representantes da Confederação Nacional de Bananicultores (Conaban) e de associações de produtores do Vale do Ribeira, em São Paulo, e de Santa Catarina, Minas Gerais e Bahia. De acordo com Sandra Kennedy, do Consórcio de Segurança Alimentar do Vale do Ribeira (Consad), Andrade dispôs-se a discutir com outros ministérios formas de impedir a entrada da fruta equatoriana. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), presente no encontro, agendou audiência com o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, entre 6 e 9 de agosto.

Segundo a Conaban, embora o Equador seja o maior exportador de banana do mundo, apenas cinco empresas multinacionais controlam 80% do comércio internacional da fruta, monopolizando a produção e o comércio daquele país. "Liberar o mercado brasileiro irá beneficiar, exclusivamente, as trades norte-americanas e os varejistas brasileiros", alerta o pesquisador Wilson da Silva Moraes, especialista em fitopatologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Conforme Moraes ele, o Brasil tem investido em tecnologias já praticadas pelos países exportadores como Equador, Costa Rica e Colômbia, na busca do aumento crescente de exportação de bananas.

Em manifesto, a Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar) afirma que a entrada da banana do Equador causará desequilíbrio econômico e financeiro nas regiões produtoras nacionais, pois a produção do país é baseada na exploração de mão de obra, até mesmo infantil. Na análise do secretário executivo da Abavar, Ronnei Lima do Nascimento, a banana do Equador pode chegar a São Paulo, maior centro consumidor, a preço menor do que a produzida no Vale do Ribeira. "Será um desastre para a economia da região", prevê. O Vale responde por 70% da produção paulista de banana, de 1,2 milhão de toneladas, e a cultura está em pequenas propriedades.

O Brasil é o terceiro maior produtor de banana do mundo, com produção de 7,5 milhões de toneladas por ano, atrás da Índia e da China. São Paulo, Bahia, Santa Catarina, Minas Gerais, Pará, Ceará e Pernambuco são responsáveis por 74% da produção brasileira. No País, são cultivados cerca de 500 mil hectares e estima-se que a fruta gere 520 milempregos diretos e dois milhões indiretos.

Fonte: Estadão Conteúdo

Agosto sem desgosto. Com a segunda alta seguida e certo descolamento do Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, a Carteira Valor voltou ao campo positivo em 2013.

Ao registrar valorização de 6,5% em agosto, o portfólio passou a apurar ganho de 1,7%

no acumulado do ano e de 21,4% em 12 meses.

O Ibovespa também cravou a segunda alta de 2013, ao subir 3,7% e retomar os 50 mil pontos, mas ainda tinha perda de quase 18% no ano até o último dia 30.

Diante do desempenho mais favorável no início deste segundo semestre, as indicações para a carteira neste mês reforçaram um viés defensivo, com a entrada de três papéis: CCR, Cemig e Ultrapar. Empresas mais voltadas à cena doméstica concentram as atenções no portfólio, que segue com destaque para o setor financeiro, com três integrantes: BB Seguridade, Cetip e Itaú Unibanco, única companhia presente na carteira desde o início do ano.

Educação e consumo também marcam presença, com a manutenção das recomendações de Kroton e Hypermarcas. E, para completar, duas exportadoras - Vale e BRF - seguiram entre os destaques deste mês, mesmo após subirem mais de 10% cada em agosto. Desde julho de 2008, quando 27 companhias foram indicadas pelas corretoras, o portfólio não era tão concentrado. Para este mês de setembro, apenas 28 empresas figuraram dentre as recomendações.

A retomada do mercado brasileiro ainda é vista com cautela e muito atrelada a uma recuperação técnica, em meio às oportunidades de encontrar pechinchas seletivamente. A queda no ano das bolsas americanas vista em agosto reforçou uma perspectiva ainda conservadora para a Bovespa.

Para a Bradesco Corretora, a bolsa brasileira hoje parece melhor em relação a outros mercados emergentes. Contudo, avalia a corretora em relatório, ainda é cedo para apostar em uma melhora mais consistente em termos de lucros corporativos. Pelo contrário, a Bradesco ressalta que não se pode descartar revisões para baixo nos lucros projetados, e assim permanece focada em uma estratégia de seletividade dos ativos.

Além de acompanhar as tensões na Síria, em setembro, os mercados estarão de olho principalmente na reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), nos dias 17 e 18. O foco principal continua em saber se a autoridade monetária vai começar a retirar os estímulos econômicos neste mês e quais serão as consequências dessa decisão sobre os mercados.

Enquanto a dúvida não é sanada, analistas reforçam a visão sobre empresas mais defensivas. E no mês que marca um ano das medidas do governo federal para o setor elétrico, chama atenção a entrada de Cemig na Carteira Valor. Segundo Roberto Indech, responsável pela área de estratégia da Octo Investimentos, após os eventos que tanto pesaram sobre os papéis da companhia mineira - como o anúncio de redução das tarifas de energia em 2012, que gerou o início de uma negociação das concessões a vencer no curto prazo de três das principais usinas do grupo, e o processo de revisão tarifária na área de distribuição -, os preços voltaram a justificar a recomendação.

A Octo justifica a escolha citando uma queda menor que a esperada na receita por conta da revisão tarifária; a redução de Ebitda recorrente pela perda eventual da concessão das três usinas também abaixo das estimativas da companhia; uma política de distribuição de dividendos de pelo menos 50% do lucro líquido; a continuação de avaliação de novos negócios com vistas à expansão via aquisições; e baixo risco de desvalorização diante da quedas das ações nos últimos meses. Em agosto, os papéis da Cemig caíram 10,8%.

A CCR é outra novata na carteira do mês. A Planner Corretora está otimista com a ação, após uma baixa (-3,1%) sem razões em agosto. A casa espera um melhor resultado no terceiro trimestre, em função do crescimento orgânico e do início da cobrança de pedágio dos eixos suspensos de caminhões, que começou a vigorar em São Paulo ao fim de julho. A Planner ainda cita a compensação acordada com o governo do mesmo estado pela proibição de alta na tarifa dos pedágios no segundo trimestre.

E para completar o grupo das entrantes, os papéis da Ultrapar também ficaram em evidência. "A Ultrapar tem se mostrado uma companhia mais resiliente em um cenário de incerteza para o mercado interno", afirma Felipe Ruppenthal, analista da Geração Futuro. Além da forte demanda pelos produtos da empresa, o analista aponta como pontos positivos condições financeiras sólidas, com baixo endividamento.

Fonte: Valor
Fonte: Por Beatriz Cutait e Luciana Seabra | De São Paulo

O nigeriano Aliko Dangote, que tem uma fortuna avaliada em US$ 20 bilhões.

Na Nigéria, é difícil não dar dinheiro para o homem mais rico da África. Você usa açúcar? São grandes as chances de ele ter sido processado na refinaria de Aliko Dangote em Lagos, a segunda maior do mundo. Sal? O descendente de 56 anos de uma famosa família de comerciantes do norte da Nigéria também trabalha com o produto, com uma fatia de 60% do mercado.

As pessoas cozinham com farinha de trigo Dangote, comem espagueti Dangote com sucos de frutos produzidos por ele e moram em casas construídas com cimento Dangote. Ao longo de 35 anos, os nairas [a moeda local] gastos por 160 milhões de nigerianos com os produtos de Dangote só aumentaram: hoje, esse workaholic de fala mansa tem uma fortuna avaliada em US$ 20 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg.

Além de seu patrimônio, o fato mais notável sobre Dangote é que, ao contrário de alguns dos magnatas que frequentam os campos de polo e os iate clubes de Lagos, ele fez sua fortuna com um envolvimento mínimo no obscuro setor de petróleo do país.

Na semana passada Dangote assinou um empréstimo de US$ 3,3 bilhões com bancos locais e estrangeiros, em parte para financiar uma enorme refinaria de petróleo. A unidade, com capacidade de processamento de 400 mil barris/dia, irá mais que dobrar a capacidade de refino do país quanto estiver concluída, em 2016.

As quatro refinarias estatais hoje existentes podem, em tese, refinar de 445 mil barris/dia, mas a produção é sempre menor que a metade disso por causa da manutenção ruim. O resultado é que o maior produtor de petróleo da África exporta óleo bruto e importa a maior parte da gasolina e do diesel a preços globais. O governo nigeriano gasta bilhões de dólares em subsídios para manter os preços baixos nos postos.

O absurdo da situação é percebido por poucos nigerianos, mas um grupo de empresários e políticos aliados que ganham fortunas importando combustíveis (e fraudando o programa de subsídios) vem frustrando os esforços de ampliação da capacidade de refino. Se o histórico de Dangote serve de alguma coisa, é uma boa aposta afirmar que ele será bem sucedido onde outros fracassaram.

Dangote gosta de cultivar relações com os governantes da Nigéria, militares e civis. A política econômica vem trabalhando a seu favor, com a proibição das importações coincidindo com o aumento de sua capacidade de fabricação em vários setores, como o de cimento. Imediatamente após a cerimônia de assinatura do empréstimo, na semana passada, Dangote dirigiu-se ao palacete presidencial para tirar fotografias com o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan.

Dangote então embarcou em seu jatinho particular e voou para o Quênia para uma conferência. Ele atualmente passa grande parte de seu tempo no ar, enquanto amplia seu império cimenteiro para outros 14 países da África. E pretende também entrar em outros mercados, incluindo o Iraque e Mianmar.

Mesmo assim, ele continua bastante enraizado na Nigéria, onde mantém uma residência em Victoria Island, o distrito financeiro da cidade de Lagos. Sua disposição para o trabalho é lendária: ele começa seu dia às 4h30 e com frequência trabalha até a meia-noite.

Num país onde a riqueza é sempre ostentada, Dangote está longe de ser ostentoso. A sede de suas empresas, que fica ao lado de um viaduto, é bem modesta. Isso faz dele um enigma, pois está claro que o que o motiva é o dinheiro. Quando perguntaram ao homem mais rico da África se ele poderia se tornar o homem mais rico do mundo, ele respondeu: "Por que não?".

Amigos de Dangote afirmam que o que mais o motiva não é algo tangível como o dinheiro. É seu desejo de vencer e, como sugere a pequena placa sobre sua mesa, onde se lê "Nada é impossível", sua vontade de provar que as pessoas estão erradas.

Fonte: Valor
Por Xan Rice | Financial Times

A Espanha pode ter saído da recessão a tempo do Natal, mas economistas avisam que o país, cuja população ainda está duplamente pressionada pelo alto endividamento e pelo desemprego maciço, vai continuar dependendo muito das das exportações em 2014.

As vendas no varejo ainda estão 25% abaixo do que estavam antes de a Espanha entrar em crise econômica, há mais de cinco anos. Alguns donos de lojas dizem ver poucas mudanças no comportamento do consumidor até agora.

"Estamos vendendo menos do que nesta época no ano passado. Simplesmente não há clientes, e os que vêm buscam só os produtos mais baratos", reclama Tomás Miguel, dono de uma loja de presentes e prataria em Burgos, cidade no norte da Espanha, famosa por sua catedral gótica e pela sua "morcilla", o chouriço em espanhol.

A frustração que se sente por trás das caixas registradoras das lojas de Burgos é reflexo de um problema mais amplo da economia espanhola. Até agora, a recuperação vem sendo alimentada quase exclusivamente pelo aumento das exportações, com a demanda doméstica agindo como um freio para o crescimento.

O avanço nas vendas externas foi forte o suficiente para tirar a Espanha da recessão no terceiro trimestre e deu confiança às empresas para começar a investir em fábricas e maquinário. Economistas, porém, alertam que o país ficará preso a um crescimento, na melhor hipótese, anêmico, caso a demanda doméstica continue tão fraca como agora.

Há sinais de esperança. De acordo com o Banco da Espanha, a autoridade monetária do país, o declínio no consumo total diminuiu no terceiro trimestre. As vendas varejistas subiram 2,1% em setembro, na comparação anual, primeiro aumento do tipo em mais de três anos, mas voltaram a cair em território negativo em outubro. A confiança dos consumidores mostrou forte retomada, e as vendas de carros - beneficiadas por subsídio estatal - também estão em alta.

O diretor-geral da associação de lojas de departamento e redes varejistas da Espanha, Javier Millán-Astray, destaca que as vendas no primeiro grande fim de semana de compras da temporada de festas de fim de ano avançaram 8% em comparação às de 2012. Sua previsão é de alta de 6% a 7% nas vendas de Natal este ano em relação às do ano passado.

"Vimos uma mudança na tendência desde agosto", disse Millán-Astray. "As vendas ainda estão em queda, mas os declínios são bem menores do que antes. E a verdade é que o primeiro fim de semana da temporada de Natal foi muito melhor do que no ano anterior."

Outros, contudo, acham que os ingredientes para uma alta sustentável no consumo e demanda domésticos simplesmente não estão presentes: o desemprego parou de aumentar, mas continua teimosamente elevado, em mais de 25%; os salários, em termos reais, estão em queda, e muitas famílias têm dificuldade para pagar seus financiamento imobiliários e outras dívidas acumuladas durante os anos de prosperidade.

"A realidade econômica ainda é muito dura para as famílias espanholas", diz o professor Josep Valls, da faculdade de administração Esade. "Os índices de pobreza não vêm cedendo e os níveis de desemprego não estão caindo."

O professor argumenta que o consumo também é contido por mudanças mais profundas no comportamento do consumidor: "Há muito menos compras por impulso do que antes e mais consumidores que tomam suas decisões de compra com base no preço."

"Quando as pessoas compram presentes, procuram pelo que é útil, em vez do superficial, e por pechinchas e descontos especiais. Isso é uma grande mudança em comparação [...] a antes da crise."

A mudança soa bastante familiar para Virtus, em Burgos: "Clientes que costumavam gastar € 100 em um perfume para o Natal, agora, gastam apenas € 70."

Economistas ressaltam, no entanto, que o consumo privado é só um componente da demanda doméstica. Uma alta modesta no gasto dos consumidores, dizem, pode não bastar para compensar o declínio nos gastos do governo e a contínua queda dos investimentos no mercado imobiliário.

Miguel Cardoso, economista-chefe do BBA para a Espanha, diz que os consumidores sentem-se mais confiantes do que em 2012 e que têm menos medo de novos anúncios de cortes de gastos governamentais e aumentos de impostos. Ainda assim, ele prevê estagnação na demanda doméstica e no consumo doméstico em termos gerais durante 2014. "Ainda vamos seguir dependentes das exportações para ter crescimento econômico", afirmou.

Fonte: Valor
Por Tobias Buck | Financial Times, de Burgos

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 593 milhões nas duas primeiras semanas de agosto, com US$ 6,777 bilhões em exportações e US$ 6,184 bilhões em importações no período, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No ano, a balança comercial registra déficit de US$ 4,396 bilhões.

As exportações brasileiras recuaram 0,5% no acumulado do mês até a segunda semana de agosto, enquanto as importações apresentaram alta de 6%. Para fazer a comparação, o ministério calcula média do que o país vendeu ao exterior e do que foi importado por dia útil de cada período. Isso foi feito tanto para o acumulado deste mês como para todo mês de agosto do ano passado.

A média diária de US$ 968,1 milhões nas exportações até a segunda semana do mês é 0,5% inferior à média diária de US$ 973,1 milhões dos embarques realizados em todo o mês de agosto de 2012. Essa queda é explicada pelo menor embarque de produtos manufaturados e semimanufaturados. Houve aumento nas exportações de bens básicos.

As exportações de produtos básicos subiram 6,7%, passando dos US$ 469,1 milhões da média diária de agosto de 2012 para um total de US$ 500,4 milhões no acumulado deste mês. O resultado foi puxado, principalmente, por minério de cobre, soja em grão, bovinos vivos e carne de frango, bovina e suína.

No caso dos semimanufaturados, a média recuou 6,8%, passando de US$ 130,7 milhões em agosto de 2012 para US$ 121,8 milhões no acumulado deste mês. O resultado se deve ao menor embarque de semimanufaturados de ouro, ferro-ligas, óleo de soja em bruto, ferro fundido e alumínio em bruto.

Os manufaturados apresentaram queda de 7,4% na comparação entre média diária no acumulado deste mês (US$ 329,4 milhões) com agosto do ano passado (US$ 355,7 milhões). As maiores baixas foram registradas nas vendas de aviões, motores e geradores, veículos de carga, laminados planos, óleos combustíveis, bombas e compressores, pneumáticos e autopeças.

Na outra ponta, as importações subiram 6% até a segunda semana de agosto -média diária de US$ 883,4 milhões - ante US$ 833 milhões em agosto do ano passado. Nessa comparação cresceram os gastos com veículos, cereais e produtos de moagem, combustíveis e lubrificantes, farmacêuticos, cobre e suas obras, instrumentos de ótica e precisão, borracha e obras, equipamentos mecânicos e plásticos.

Fonte: Valor
Por Thiago Resende | De Brasília

Uma resolução publicada pela Anvisa nesta quinta-feira (16/8) alterou os procedimentos administrativos para a Certificação em Boas Práticas. A RDC nº 39/2013

abrange as atividades relacionadas a medicamentos, produtos para a saúde, cosméticos, perfumes, produtos de higiene pessoal, saneantes e insumos farmacêuticos.

A nova norma representa grandes avanços na área. Entre eles, destacam-se a adoção de uma única norma ao invés das dez resoluções anteriores que regiam os diferentes processos administrativos de Certificação e a definição de critérios para a renovação automática dos Certificados de Boas Práticas.

Entre as mudanças trazidas pela resolução, estão ainda as possibilidades de inclusão de novas formas farmacêuticas, insumos ou classes de risco em linhas de produção com certificado vigente; de alteração da posição de espera de uma petição na fila com outras petições da mesma empresa; e de emissão do Certificado de Boas Práticas de Armazenagem para Medicamentos e Produtos para Saúde independentemente da realização conjunta da atividade de distribuição. A medida também simplifica o conteúdo dos Certificados de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos.

Leia a RDC nº 39/2013  na íntegra e a Nota Informativa  produzida pela Anvisa de orientação ao setor regulado.

16 de agosto de 2013
Fonte: Portal Anvisa

As modificações introduzidas na legislação aduaneira (Decreto 6759/2009 e IN/SRF 1169/2011) trouxeram mudanças significativas no exercício da função dodespachante aduaneiro, exigindo a atualização e qualificação permanente destes profissionais, já que desempenham papel fundamental na pratica do comércio exterior e a atual modificação na legislação prejudica sobremaneira o exercício da função, exigindo atenção redobrada para não haver responsabilização cível e criminal na prestação destes serviços.

 

Profissão que existe desde 1850, a principal função deste profissional é a formulação da declaração de importação ou exportação, o que implica na indicação do regime aduaneiro e enquadramento tarifário a ser aplicado às mercadorias, além de ser responsável pelas informações apresentadas ao fisco concernentes à importação e pagamento de tributos.

Até 2009 a regulamentação da profissão de despachante aduaneiro era regida pelo Decreto 646/1992, o qual foi revogado em junho de 2010, passando o Regulamento Aduaneiro (Decreto 6759/2009) a concentrar esta função, com subseção exclusiva ao tema (Subseção II, art. 810 c/c art. 735). A regulamentação subsidiária da matéria é feita pelo artigo 5º do Decreto 2472/88, art. 9º da IN/SRF 52/2001, art. 719 do Decreto 3000/1999, arts. 13 da IN/SRF 1169/2011 e IN/SRF 1209/2011.

E uma das modificações importantes introduzidas pela novel legislação foi a necessidade de aprovação em exame de qualificação técnica para o exercício da profissão e inscrição perante o Registro de Despachante Aduaneiro (RDA) da Receita Federal, exame este que foi regulamentado pela Instrução Normativa 1209/2011. Esta exigência de aprovação prévia representa um avanço para a classe, pois garante a qualificação dos profissionais que atuarão na área.

Mas inquestionavelmente a modificação mais significativa foi a concernente às sanções e penalidades aplicáveis no exercício da profissão.

Com efeito, o artigo 735, III, com a nova redação conferida pelo Decreto 7213/2010 introduz a hipótese de cancelamento da autorização para exercício da função de despachante aduaneiro nas seguintes situações: sentença condenatória, transitada em julgado, à pena privativa de liberdade (alínea “g”); descumprimento das obrigações eleitorais (alínea “h”); ação ou omissão dolosa tendente a subtrair ao controle aduaneiro, ou dele ocultar, a importação ou aexportação de bens ou de mercadorias (alínea “i”); ou prática de qualquer outra conduta sancionada com cancelamento ou cassação de registro, licença, autorização, credenciamento ou habilitação, nos termos de legislação específica (alínea “j”).

Estas novas sanções exigem dos despachantes uma atenção especial em relação às suas obrigações, pois o mero descumprimento das obrigações eleitorais, por exemplo, pode levar ao cancelamento de seu registro perante o RDA.

Porém consideramos como o principal aspecto de atenção da classe o previsto na alínea “i” do citado inciso III do art. 735 do RA, o qual determina que nas hipóteses que o Fisco suspeitar que uma conduta possa ocultar informações referentes à operação, o que pode levar ao entendimento de que a mera omissão nas informações prestadas ao Fisco ou inveracidade dos documentos obrigatórios entregues (Fatura Comercial, Conhecimento de Embarque e PL) poderá culminar com a cassação do seu registro perante o RDA.

Na mesma linha de raciocínio, a Instrução Normativa 1169/2001 inovou, determinando que se for constatado pelo Fisco que houve a participação do despachante aduaneiro nas situações elencadas na citada Instrução Normativa como infração aduaneiras (ocultação real adquirente, subfaturamento, interposição fraudulenta, falsa declaração de origem), poderá ser instaurado procedimento administrativo para apuração dos fatos para cassação do registro da habilitação do despachante (art. 11 c/c 13), além da instauração de representação fiscal para fins penais para apuração da responsabilidade criminal do profissional.

Neste contexto, se faz necessário que os despachantes aduaneiros tenham especial cuidado no recebimento dos documentos dos importadores, conferindo a veracidade dos documentos encaminhados para apresentação na RFB, e se possível, fazer constar na procuração ou em termo separado a responsabilização civil e criminal do importador/exportador pelos documentos entregues para instruir o despacho aduaneiro.

Tal medida preventiva não irá eximir o despachante aduaneiro das sanções previstas em lei, porém poderá ser um importante argumento de defesa para estes profissionais, os quais não poderão ser punidos por eventuais informações inverídicas apresentadas pelos importadores/exportadores, revelando-se questão de JUSTIÇA a exclusão da responsabilização dos mesmos, já que meros prestadores de serviço.

Outras medidas preventivas também poderão ser adotadas em favor dos despachantes aduaneiros, seja de forma individual ou através do Sindicato que esteja filiado, a depender da análise concreta de cada caso.

Por Kelly Martarello

A Comissão Especial que trata o Novo Código Nacional de Ciência e Tecnologia, Projeto de Lei2177/11, realiza nesta sexta feira, 19, Audiência Pública no Acre. O intuito é ouvir sugestões de aprimorar o texto. O debate será realizado no auditório da Biblioteca da Floresta, a partir de 15 horas.

Elaborada com a participação de entidades da área, a proposta prevê desde isenção fiscal até flexibilidade nas regras de licitação, como forma de impulsionar a pesquisa no país. Participam da audiência, além de representantes de instituições científicas, pesquisadores, acadêmicos e comunidade, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre, Fapac, professor Pascoal Torres Muniz, que na oportunidade representará a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e o relator do Projeto de Lei 2177/11, Deputado Federal Sibá Machado.

O debate sobre o Novo Código de CT&I já está aberto através de um fórum no site http://cienciaetecnologia.livreforum.com/. No espaço online, os participantes, depois de cadastrados, podem acessar o Projeto de Lei 2177/11 e outras publicações acerca do assunto, além de opinar e debater.

Os principais pontos da proposta de Código da Ciência, em discussão no Congresso são:

Unificar conceitos dispersos na legislação, definindo como entidade de Ciência, Tecnologia e Inovação (ECTI) a instituição, empresarial ou pública, com ou sem fins lucrativos, que atue em inovação, ciência e tecnologia. ECTIs serão as principais beneficiárias, ao lado dos pesquisadores, das inovações trazidas, a começar pela desburocratização no processo de licitações e contratos públicos no setor.

Flexibilizar regras de compras e contratos, elevando o teto para aquisição indireta, inclusive por importação, de R$ 8 mil para R$ 30 mil. Possibilidade de compra de bens e insumos de natureza comum (mesas, cadeiras etc.) podendo ser realizada de forma mais rápida, mediante análise de três orçamentos. Ampliar tetos para duração dos contratos de serviços, dos atuais 60 meses para serviços essenciais e 12 meses para mergenciais, para o prazo de duração do programa ou projeto. A atual lei 8.666/93 busca, antes de tudo, a economia de recursos públicos. No código, se procura valorizar a qualidade do produto ou do serviço adquirido.

Considerar pesquisador, antes de tudo, idôneo nas avaliações. A justificativa apresentada para compra só poderá ser impugnada no órgão de controle se feita por pessoas que tenham a mesma qualificação técnica ou titulação do pesquisador. Hoje, quem faz a análise da prestação de contas de um pós-doutor é um técnico administrativo.

Desburocratizar acesso a equipamentos e insumos, facilitando as importações para pesquisa, com isenção dos impostos (IPI e de importação) e dispensando exame de similaridade, emissão de guia de importação e controles prévios ao despacho aduaneiro. Um tratamento simplificado e rápido às compras deve evitar que estudos sejam atrasados, pesquisas perdidas e produtos estragados.

Garantir aos cientistas acesso ao patrimônio genético. Coleta e exploração do recurso genético da fauna e da flora, se apenas para pesquisa, poderão ser feitas sem a obrigatória autorização do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN). Hoje, é obrigatória a autorização prévia de pelo menos um órgão federal.

Aumentar a liberdade para pesquisador gerir o projeto, implantando um sistema unificado on-line de prestação de contas, permitindo ao pesquisador remanejar sem consulta prévia até 30% dos recursos do projeto de custeio para capital e vice-versa.

Incentivar parceria e protege investimento público. Garantindo a incorporação ao patrimônio dos bens gerados ou adquiridos pelo projeto científico, incentivando parcerias com as universidades, que se tornariam sócias das incubadoras e às micros e pequenas empresas, na forma de participação societária pública, inclusive das universidades. Assim o pesquisador poderá deixar a universidade, ir à empresa e lá desenvolver ação de inovação, recebendo o salário original e ainda uma bolsa inovação paga pela empresa.

Por fim, ampliar número de empresas contempladas com incentivos, estendendo benefícios tributários da Lei da Inovação às empresas usuárias do regime de lucro presumido. Hoje a lei contempla apenas as empresas de lucro real, deixando à margem a maior parte das companhias.

Fonte: Daigleíne Cavalcante
17/07/2013 - 16:52 (Assessoria SECT)

Equipamento começa a operar no dia 1° de setembro.

 

Porto de Santos é o primeiro do Brasil a receber esse scanner. Um novo scanner passará a vistoriar todas as cargas importadas que chegarem ao Porto de Santos, no litoral de São Paulo. O equipamento, usado pela primeira vez no Brasil, começa a operar no dia 1° de setembro.

Aparelhos como esse já eram usados em pequenas mercadorias no Porto de Santos, mas agora o scanner está mais potente e poderá visualizar as cargas de todos os caminhões. Antes, somente 1% do que chegava era vistoriado, e os contêineres precisavam ser abertos.

Com o novo equipamento, o caminhão é vistoriado e da cabine os profissionais analisam se a carga é a mesma declarada na documentação. Um procedimento que passa a ser exigido pela Receita Federal a partir de 1º de setembro. “Antigamente, nós tínhamos que solicitar a abertura do contêiner, posicionar e desovar, para fazer a conferência física. Hoje, com as imagens do scanner, em cinco minutos você consegue saber o que tem dentro, perfeitamente, inclusive coisas escondidas, como drogas e armas", diz Cleiton Alves, inspetor da Alfândega.

O Porto de Santos é o primeiro do Brasil a receber os equipamentos, já em operação em alguns terminais do mundo. O diretor executivo da Santos Brasil, Luiz Felipe Gouvêa, garante que a obrigatoriedade desse procedimento não vai aumentar as filas de caminhões. “O veículo passa a praticamente cinco quilômetros por hora, numa taxa de 120 caminhões por hora. Não existe nenhuma possibilidade de trazer algum transtorno para a nossa operação", conclui.

Fonte: G1 Santos

A nova geração de terminais que serão inaugurados às vésperas da Copa do Mundo de 2014, nos três aeroportos concedidos à iniciativa privada no ano passado, promete causar um choque no varejo do setor e transformar a experiência dos passageiros.

Em Viracopos e em Brasília, as concessionárias que assumiram a gestão dos dois aeroportos já fecharam contratos para trazer ao país grifes conhecidas internacionalmente e marcas inéditas no Brasil. "Será uma experiência de lazer e entretenimento para os passageiros", diz Daniel Ketchibachian, diretor comercial da Inframérica, que opera o aeroporto de Brasília e deve inaugurar até abril a primeira ampliação do terminal em obras. "Hoje, o passageiro gasta até 15 minutos na fila para comprar uma mera garrafa de água, nos horários de pico. Esqueçam isso", desafia.

A Inframérica fechou contrato com a rede americana de restaurantes Red Lobster, especializada em frutos do mar, que ainda não atua no Brasil. Em parceria com a Ambev, abrirá uma "miniarena" de futebol, em alusão ao Estádio Nacional Mané Garrincha. Um pequeno museu, telões com transmissão de jogos e cerveja Budweiser fazem parte das atrações. Outro destaque é a maior sala vip da América Latina, com 1.800 m², com serviços como spa e até cinema. Marcas como Johnnie Walker terão presença em bar temático.

Ketchibachian diz que o aeroporto de Brasília tem características peculiares. Os passageiros gastam, em média, duas horas no terminal. Cerca de 84% não moram na capital federal. É gente em conexão ou esperando o voo após um dia de trabalho - geralmente contatos com o governo - na cidade. Cada viajante, no entanto, só desembolsa de R$ 5 a R$ 6 enquanto espera. "A nossa meta é triplicar as receitas comerciais até 2015."

Uma loja de departamentos, comandada pela suíça Dufry, ocupará 1.600 m² na área de voos domésticos. A ideia é ter produtos para todos os bolsos. "Muitos passageiros não têm tempo para ir ao shopping e estão dispostos a comprar no aeroporto. Só é preciso atendê-los adequadamente", diz o diretor da Inframérica.

A Aeroportos Brasil, que administra Viracopos, abriu uma chamada para manifestação de interesse de varejistas e recebeu 250 candidatos. Hoje, menos de duas dezenas de lojas se amontoam no velho terminal, em uma área de 2.800 metros quadrados.

No novo terminal, com capacidade para 14 milhões de passageiros por ano, o espaço disponível para unidades comerciais passará a ser de 11 mil m². Inicialmente, a fim de não dispersar excessivamente os passageiros, serão 68 lojas ocupando 8.500 m². O espaço restante será alugado à medida que o movimento crescer. A maioria do comércio e dos serviços ficará na parte restrita do terminal - ou seja, acessível apenas a quem já cruzou os portões de embarque.

Mais de 90% dos contratos já foram fechados, segundo Aluizio Margarido, diretor comercial da Aeroportos Brasil. A suíça Nuance fará companhia à compatriota Dufry na área de free shop. McDonald's, Bob's, Subway e Spoletto asseguraram presença no novo terminal.

No primeiro ano de funcionamento do terminal, que deve ser inaugurado em maio, a expectativa de Margarido é levar as receitas comerciais de Viracopos de R$ 20 milhões para R$ 40 milhões. Hoje elas representam só 13% do faturamento do aeroporto. Com a maior oferta de serviços, espera-se elevar o gasto médio por passageiro, que atualmente é de R$ 6 em alimentação e de R$ 7,80 nas demais lojas.

Margarido observa que, quanto mais aumentarem as receitas comerciais, maior fica a margem de manobra para uma política agressiva de atração de companhias aéreas a Viracopos. Podem ser dados descontos nos aluguéis de salas de apoio dos 'check ins' e gratuidade temporária nas tarifa de pouso e permanência das aeronaves. Com um número maior de companhias atuando no aeroporto, cria-se um círculo virtuoso e aumentam-se as receitas comerciais, permitindo novamente captar novos voos.

"Não nos vemos em concorrência direta com o aeroporto de Guarulhos", diz Margarido. "A experiência da Azul mostra a potencialidade do interior paulista", completa. Segundo ele, a TAP - única aérea hoje com voos internacionais em Viracopos - não perdeu passageiros em Guarulhos ao estender as operações a Campinas.

Fonte: Valor

Um rápido olhar sobre o desempenho da agricultura brasileira nos últimos tempos pode dar a falsa impressão de que tudo corre às mil maravilhas. De fato, estamos colhendo uma safra recorde, pelo quarto ano consecutivo, estimada em torno de 187,09 milhões de toneladas de grãos, o que assegura alimento farto e barato para a população brasileira e concorre, adicionalmente, para conter o custo de vida.

 

O Brasil figura como um dos maiores players do mercado internacional de produtos agroindustriais, liderando nos segmentos de soja, carnes bovina e de frango, açúcar, etanol, café, suco de laranja e tabaco; adicionalmente, disputa as primeiras posições do ranking mundial de produtos como milho, carne suína, algodão e cacau.

É o agronegócio brasileiro ainda o responsável por 36% das exportações brasileiras, assegurando um saldo de US$ 80 bilhões em nossa balança comercial - perto de 80% do total. E a relevância sócio-econômica do campo pode ser avaliada por outros dois importantes indicadores: o setor responde por 26% dos empregos e movimenta 23% de nosso Produto Interno Bruto (PIB).

E mais do que hora de formular uma política que dirija a produção de grãos para a exportação de carnes e biodiesel

Engana-se, entretanto, quem imagina que o campo atravessa um momento de benesses e conquistas. A despeito dos inegáveis avanços que a agricultura brasileira registra em termos de produção e comercialização de matérias-primas, o fato é que o campo atravessa um contínuo e crescente processo de commoditização, provocado pela desindustrialização, que resulta, em médio e longo prazos, na consolidação do país como provedor mundial de produtos de baixo valor agregado.

Tome-se como exemplo o desempenho das exportações brasileiras de produtos industrializados de soja. Um dos maiores players do segmento, responsável pela "tropicalização" deste grão, nativo da temperada China, o Brasil deixou escapar por entre os dedos, nos últimos vinte anos, uma verdadeira fortuna, estimada em mais de US$ 30 bilhões, para nossos vizinhos argentinos, em participação de mercado de óleo e farelo de soja.

Isso ocorre porque, diferentemente de outros países - a exemplo da Argentina - o Brasil pratica uma política fiscal que incentiva a produção de matérias-primas, em detrimento do processamento e exportação de produtos industrializados, de maior valor agregado. Incorre-se, de outra parte, no risco de fomentar a temerária "Chinadependência", com a preocupante concentração de nossas exportações de soja para o país asiático.

 

Para operar neste ambiente de crescentes adversidades, um grupo de empresas exportadoras e de produtores agrícolas tecnificados passaram a explorar, com sucesso, um novo e promissor mercado: o de produção de grãos não transgênicos, produto de grande procura por consumidores europeus e asiáticos, que se dispõem a pagar prêmios, em dinheiro, para assegurar que o alimento que consomem é efetivamente livre de organismos geneticamente modificados.

Esse prêmio é rateado pelos elos da cadeia produtiva da cadeia de soja não transgênica - indústria, exportador, certificador, sementeiro e produtor rural - agregando substancial valor à produção. E essa operação não se limita à exploração de um nicho de mercado, como se poderia pensar à primeira vista, mas trata-se de um negócio de respeitáveis proporções. Basta dizer que a produção de não transgênicos, que equivale a cerca de 10% da oferta nacional de soja (numa estimativa conservadora, já que o Brasil não dispõe de dados oficiais), é responsável por 40% das exportações brasileiras de farelo de soja.

Esse vitorioso modelo de produção - que conta com o apoio da Embrapa na retaguarda, garantindo o desenvolvimento e suprimento de sementes livres de transgênicos de alta produtividade - é uma ótima mostra da criatividade e inovação que norteia as empresas focadas na produção de não transgênicos, constituintes da Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não-Geneticamente Modificados (Abrange).

É o caso do grupo Maggi, por exemplo, que desenvolveu um cluster de produção 100% não-transgênico no Mato Grosso e Rondônia, explorando sistema aquaviário próprio. Outra associada, a Imcopa, sediada no Paraná, é pioneira mundial no desenvolvimento do farelo de soja superconcentrado, produto mais sofisticado e de maior valor agregado - 100% livre de transgênicos.

Já a Caramuru Alimentos, baseada em Goiás, praticamente substituiu o modal rodoviário pela operação hidro-ferroviária, conferindo competitividade e segurança ao transporte de grãos do Centro-Oeste até o porto de Santos. Inovadoras, essas empresas também desenvolveram e lançaram o primeiro programa de certificação de sementes não transgênicos do planeta.

Se a criatividade e a visão de negócios destas empresas merecem aplausos, o fato é que a manutenção e o desenvolvimento das notórias vantagens comparativas e competitivas que o Brasil detêm em relação a seus concorrentes demandam ajustes que o país não pode mais esperar, a começar pela efetiva edição das medidas compensatórias para as exportações de produtos industrializados, de maior valor agregado, anunciadas quando do anúncio da chamada Lei Kandir em 1995 (que desonerou as exportações de matérias-primas), mas até hoje ignoradas.

Paralelamente, é mais do que hora de formulação de uma política que direcione a produção de grãos para a exportação de carnes e biodiesel, cuja rentabilidade é sabidamente superior à das proteínas vegetais.

Tais investidas, vale dizer, não demandam esforços extraordinários ou investimentos maciços. Basta decisão política - para empregar uma expressão antes desgastada, mas hoje cada vez mais respeitada e revalorizada pelo ronco das ruas e dos campos.

César Borges de Sousa é presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange)

Fonte: Valor
Por César Borges de Sousa

Em mais uma tacada para ganhar terreno no segmento de logística para o agronegócio, a Odebrecht TransPort (OTP), braço de infraestrutura do grupo Odebrecht , comprou uma participação majoritária no projeto do terminal açucareiro da operadora logística Agrovia no porto de Suape (PE). As duas empresas vão formar uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) e investir R$ 150 milhões em dois anos. O aporte será, em linhas gerais, proporcional à participação de cada uma no negócio - 75% da OTP e 25% da Agrovia.

Pelo acordo, que ainda precisa passar pelo crivo da Secretaria Especial de Portos e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a SPE terá o contrato de arrendamento da retroárea (área externa ao porto) do cais 5 de Suape, que tem área total de 72,5 mil m2 e berço de 355 metros de extensão. A concessão dessa área foi obtida pela Agrovia em licitação.

Após os investimentos, o terminal terá capacidade para movimentar 738 mil toneladas de açúcar por ano. As operações devem começar em setembro de 2015. Segundo a diretora da OTP, Juliana Baiarde, o projeto prevê investimentos em sistemas de recepção rodoviária, armazenagem do açúcar refinado a granel e ensacamento desse açúcar, além de elevação da commodity em navios graneleiros. O terminal permitirá ainda o embarque de açúcar refinado em até cinco dias e em navios com capacidade para até 35 mil toneladas. Atualmente, o embarque do produto no porto de Recife é feito por navios de até 10 mil toneladas de capacidade e demora, em média, 15 dias.

Segundo ela, o acordo com a Agrovia foi o primeiro passo do grupo rumo ao objetivo de ser um competidor de peso em logística para o agronegócio. "A empresa venceu a licitação para construir um trecho de 850 quilômetros da BR-163 e quer avançar com infraestrutura nessa região com transbordo de carga, principalmente soja, por hidrovia e terminais portuários", afirmou.

Para esse projeto, ainda em estudo, disse a executiva, a companhia pode destinar de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão em investimentos, incluindo o modal hidroviário. Em agronegócio, a OTP estava posicionada até agora apenas no projeto da Logum, empresa de logística para transporte de etanol do Centro-Oeste para o Sudeste do país.

A Agrovia, que tem como sócios a trading de commodities agrícolas ED&F Man, e os fundos de private equity BRZ Investimentos, Pampa Capital e Angra Partners, opera estações de transbordo rodoferroviário de carga em diversas localidades na região Centro-Sul do país. Em outubro deste ano, um terminal açucareiro da empresa localizado em Santa Adélia (SP) foi atingido por um incêndio que queimou cerca de 25 mil toneladas de açúcar. Pelo incidente, que provocou a morte de 14 toneladas de peixes em rios localizados no entorno do armazém, a empresa foi multada em R$ 15 milhões pela Cetesb. (FB)

Fonte: Valor

Daniel Godinho: "O acordo gerou resultados importantes em termos de comércio bilateral nos produtos incluídos".

O governo brasileiro negocia ampliar o Acordo Preferencial de Comércio entre Mercosul e Índia para incluir na lista de preferências tarifárias itens considerados estratégicos para a balança comercial brasileira. As negociações, segundo apurou o Valor, estão concentradas em commodities como açúcar, óleo de soja, sucos de fruta, carnes, café, máquinas e motores.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, abriu, neste mês, uma consulta pública para ampliar o acordo com a Índia, assinado em janeiro de 2004 e vigente desde junho de 2009.

Atualmente, o acordo prevê preferências na tarifa de importação para um total de 902 linhas tarifárias, sendo 452 concedidas pelo Mercosul e 450 pela Índia. Os itens recebem descontos nos impostos de importação em relação a outros países. As mudanças precisam ser decididas no Mercosul. Por isso, cada país faz uma lista específica e a lista final deve ser fechada após uma reunião do bloco.

"O acordo gerou resultados importantes em termos de comércio bilateral nos produtos incluídos. Tendo em vista os benefícios gerados, tendo em vista a posição da Índia como parceiro importante tanto politicamente, por causa dos Brics, quanto comercialmente, as duas partes resolveram ampliar o acordo existente", disse o secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho.

De 2008 até 2012, as exportações do Brasil com destino à Índia aumentaram cinco vezes, para US$ 5,5 bilhões no ano passado. No primeiro semestre de 2013, foram exportados R$ 1,5 bilhão, queda de 44% em comparação ao mesmo período de 2012. As importações de produtos indianos, porém, cresce um ritmo acelerado, deixando o déficit da balança comercial cada vez maior.

Durante todo o ano de 2012, foram importados R$ 5 bilhões, deixando o saldo anual positivo em R$ 534 milhões. Já no primeiro semestre de 2013, o Brasil importou R$ 4,2 bilhões, o que provocou um saldo negativo de R$ 2,6 bilhões.

A intenção do governo brasileiro, segundo Godinho, é ampliar o acordo de duas formas. Em primeiro lugar, mantendo os produtos atuais com maior preferência alfandegária. Em segundo, ampliando o total de produtos. O óleo de soja, por exemplo, é o terceiro maior produto na pauta de exportações do Brasil para a Índia e não recebe nenhuma preferência tarifária.

"Os termos da negociação ainda estão em aberto e há possibilidade de ampliação da lista sem um número máximo. A quantidade de itens depende dos dois lados", disse Godinho.

Existe um desconto de 10% no Imposto de Importação do produto, mas só se aplica para o Paraguai. "Nós queremos incentivar as exportações. Hoje, podemos ter um produto com a preferência baixa. Ao aumentar esse desconto, vamos gerar interesse do empresário em exportar. De repente essa diferença é que vai colocá-lo no mercado", disse o secretário de Comércio Exterior.

O açúcar, segundo maior produto exportado aos indianos, está nas prioridades do governo e também deve ser incluído no acordo. O pedido foi feito por empresários é apoiado pelo governo, segundo Godinho.

"Vamos tentar ampliar ao máximo a preferência tarifária aos produtos já incluídos. Atualmente, apenas 16 dos 450 produtos recebem 100% de preferência. Além disso, queremos incluir novos produtos na pauta", disse o secretário.

Da mesma forma que empresas e setores podem pedir inclusões de produtos, a retirada também pode ser feita. Nesse caso, é necessário justificar o posicionamento. Ao optar pela exclusão de algum produto do acordo, deverão ser apresentados argumentos para embasar o pedido.

Tarso Veloso | De Brasília
Fonte: Valor

O governo trabalha numa revisão ampla e detalhada da lista de exceção à tarifa externa comum do Mercosul (Letec) com dois objetivos: reduzir a tributação de insumos, principalmente industriais, e retirar produtos com tributação elevada, passando a usar a lista prioritariamente para reduzir impostos em vez de aumentar a proteção a setores da economia.

 

A lista de exceção é um mecanismo permanente do Mercosul. Pelas regras em vigor, cada sócio pode incluir até cem produtos com alíquotas superiores, ou inferiores, ao que é praticado pelo mercado comum. A expectativa é que a nova versão seja concluída apenas no início de 2014, já que a Letec é normalmente revisada em janeiro e julho de cada ano.

A avaliação que vem servindo como guia para a revisão conduzida pela equipe econômica é que a desvalorização cambial mudou o cenário de proteção aos produtos nacionais, que estão mais competitivos. Por isso, a proposta de retirar da lista insumos protegidos por tarifas elevadas.

É também uma forma de reduzir custos para a indústria e, por tabela ter algum ganho marginal na inflação. Além disso, o barateamento de insumos industriais é uma alternativa que o governo enxerga para contornar as limitações fiscais que inviabilizam novas desonerações tributárias.

Das 100 vagas disponíveis na Letec, os bens intermediários somam 53 itens, geralmente beneficiados pela redução de tarifa de importação, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) feito a pedido do Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

Os outros alvos são os bens de consumo e itens que já estão na lista há mais de 15 anos. O governo entende que em muitos desses casos o volume de comércio, ou o tamanho da indústria nacional que recebe proteção, não justificam uma barreira tarifária. Os bens de consumo não duráveis, por exemplo, ocupam 27 vagas na Letec e grande parte dessas alíquotas passa dos 30%.

O trabalho que vem sendo feito pelo Ministério da Fazenda procura avaliar o impacto dos produtos da lista de exceção na economia. Já se observou, por exemplo, que a importação de um tipo de cogumelo, alvo de elevação do imposto, não chegou a US$ 300 mil de janeiro a agosto deste ano e foi de US$ 3,2 milhões no caso de pêssego em calda. Já as compras de sulfato de amônio - item da lista com redução tarifária e usado pela indústria - somaram US$ 276,1 milhões.

A ideia é que a partir dessa revisão, o governo consiga abrir espaço para que sejam incluídos cerca de 15 bens de capital. Esses produtos faziam parte de uma outra lista de proteção tarifária que foi criada como resposta à crise econômica mundial. Trata-se de um mecanismo temporário e que perderá a validade no fim de setembro, conforme anunciou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com um integrante do governo, aumentos na tributação serão "casos excepcionais".

A maioria dos insumos que hoje estão incluídos na lista de exceção do Mercosul é do segmento químico, farmacêutico e plástico, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). "Essa é uma medida de redução de custo de produção", que incentiva o setor manufatureiro nacional, avaliou Fabrizio Panzini, economista da CNI.

A equipe econômica sabe que enfrentará resistências a qualquer mudança mais profunda na lista do Mercosul. Inclusive internas - - O Ministério do Desenvolvimento, por exemplo, não é grande entusiasta. Por isso, as conversas estão sendo conduzidas nos bastidores.

Normalmente, as alíquotas do imposto de importação podem chegar a 20%, pela Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. Na Letec há ítens com redução de alíquota a zero, assim como bens tributados até 55% com o objetivo de impedir a entrada no país.

Além da Letec, o Mercosul prevê outros mecanismos tarifários. Se empresas brasileiras precisarem de bens de capital, de informática e telecomunicações não produzidos no país, o governo reduz temporariamente o imposto de importação, assim como em caso de desabastecimento.

Fonte: Valor

Segundo Almagro, países do bloco mostraram 'boa disposição' para o retorno de Assunção

MONTEVIDÉU - O chanceler do Uruguai, Luis Almagro, afirmou nesta quinta-feira, 11, que os governos do Mercosul possuem "boa disposição" para o retorno do Paraguai ao bloco no dia 15 de agosto. Nessa data, o empresário Horacio Cartes assume a presidência do país.

Almagro: 'boa disposição' do Mercosul por volta do Paraguai

Os ministros das relações exteriores do Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela participam desde a manhã desta quinta-feira na capital uruguaia da reunião de cúpula do Mercosul. O Paraguai foi suspenso do bloco em julho de 2012 durante cúpula do bloco. Na ocasião, Brasil, Argentina e Uruguai decidiram pela remoção temporária do Paraguai, mas sem barreiras comerciais.

O motivo da punição, estimulada principalmente pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi o impeachment que o Parlamento do Paraguai deu ao então presidente Fernando Lugo. A queda de Lugo foi considerada uma "interrupção da ordem democrática" pelos três países restantes do bloco, que aproveitaram a ausência do Paraguai para aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul.

Embora a volta do Paraguai ao bloco possa ser aprovada nesta quinta-feira, em Assunção o clima é de ofensa nacional pelo tratamento recebido do Mercosul porque o governo do presidente Federico Franco e a equipe do presidente eleito Horacio Cartes consideravam que o bloco reintegraria o Paraguai de forma plena após as eleições presidenciais de abril de 2012. Além disso, em Assunção existia a expectativa de que o bloco passaria a presidência pro-tempore ao Paraguai, mas o comando semestral passará à Venezuela.

A decepção no Paraguai com o Mercosul está aumentando, levando os assessores de Cartes a avaliar o que denominam de "desmercosulização" da relação com os sócios. Segundo fontes indicaram ao Estado, a ideia avaliada em Assunção é a de manter temporariamente relações separadamente com cada sócio, em vez de pensar de forma "conjunta" dentro do Mercosul.

Além disso, o entourage de Cartes avalia incrementar as relações com a Aliança do Pacífico, grupo comercial que reúne Chile, Peru, Colômbia e México e que desponta como virtual futuro rival do Mercosul na região. "A Aliança aceitou o pedido do presidente Franco de tornar o Paraguai 'observador' da associação. E Cartes concordou com isso."

A equipe do presidente eleito definiu que o país não participará de qualquer ato nem assinará documento oficial algum do Mercosul enquanto a Venezuela for tratada como sócio pleno do bloco, já que o Senado paraguaio nunca aprovou a entrada do país caribenho.

Cartes propõe que, se o Paraguai assumir a presidência pro-tempore do Mercosul, ocorra a retomada da discussão no Senado sobre a entrada da Venezuela. No entanto, Argentina, Brasil e Uruguai rejeitam a ideia, que implicaria em admitir que a inclusão da Venezuela foi realizada de forma arbitrária.

Venezuela. Os presidentes dos países fundadores do Mercosul aceitaram o pedido de entrada da Venezuela em 2006. Nos meses seguintes, o pedido tramitou nos parlamentos. Depois de ter sido aprovado pelos congressos nacionais do Uruguai, Argentina e Brasil, o ingresso venezuelano ficou bloqueado no Senado paraguaio, onde a oposição - que tinha a maioria - rejeitava a entrada venezuelana.

O então presidente Lugo, amigo de Hugo Chávez, fracassou em tentar convencer os senadores paraguaios. Na época, em Assunção, surgiram diversas denúncias de tentativas de subornos a senadores paraguaios por parte de Caracas que nunca foram confirmadas.

Os países do bloco decidiram então promover a Venezuela ao posto de "sócio pleno em estado de adesão". Em dezembro de 2011, durante a cúpula do Mercosul no Uruguai, o presidente uruguaio, José Mujica, propôs um "drible jurídico" - chamado ironicamente de "a manobra Mujica" - para que a entrada da Venezuela fosse aprovada diretamente por Lugo.

A proposta causou polêmica em Assunção, onde parlamentares da oposição ameaçaram abrir um processo de impeachment caso Lugo decretasse a entrada da Venezuela, passando por cima do Senado. A entrada venezuelana no bloco tornou-se possível com a suspensão temporária do Paraguai.

Fonte: Ariel Palácios, enviado especial ao Uruguai