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Câmbio limita perdas As cotações do açúcar demerara registraram perdas marginais ontem em Nova York. Os papéis com entrega em março encerraram em baixa de 2 pontos, a 16,93 centavos de dólar por libra-peso. A valorização do real em relação ao dólar ao longo do pregão limitou a queda do açúcar.

O Brasil é o maior fornecedor mundial da commodity e o real mais firme desestimula as vendas dos produtores do país. Porém, a rúpia seguiu desvalorizada ante o dólar, o que adicionou pressão ao mercado, já que a Índia é o segundo maior produtor global de açúcar. A safra recorde esperada do Brasil também ajuda a pesar sobre os preços. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu 0,02%, para R$ 44,05.

 

Real valorizado O café arábica foi beneficiado pelo câmbio na sessão passada na bolsa de Nova York. Os lotes com vencimento em dezembro fecharam em elevação de 170 pontos, a US$ 1,1845 por libra-peso. O Brasil é o maior fornecedor mundial da commodity, por isso as movimentações do real têm influência decisiva sobre esse mercado. Como a moeda brasileira valorizou-se ante o dólar ontem, houve um desestímulo às vendas dos produtores do grão do país, na medida em que esse cenário reduz a rentabilidade das exportações. Ainda assim, a perspectiva de que a colheita brasileira de café seja abundante este ano continua a ameaçar altas mais sustentadas. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 295 e R$ 305, segundo o Escritório Carvalhaes.

Ainda os furacões Os preços do suco de laranja subiram ontem em Nova York, apesar da ausência de novidades do lado dos fundamentos. Os lotes para novembro fecharam em alta de 115 pontos, a US$ 1,3670 por libra-peso. Os EUA atravessam a temporada de furacões, por isso os agentes seguem atentos à possibilidade de que esses fenômenos ameacem os pomares da Flórida, que detém o segundo maior parque citrícola do mundo. Mas, por ora, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) diz que um sistema de baixa pressão que está próximo da Flórida tem chance quase nula de se tornar um ciclone tropical nas próximas 48 horas. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias segue pouco acima de R$ 7, conforme o Cepea/Esalq.

Piso em seis semanas O algodão voltou a testar o nível de suporte técnico de 84 centavos de dólar por libra-peso na sessão passada em Nova York, mas cedeu antes do fechamento. Os contratos com vencimento em dezembro encerraram em baixa de 40 pontos, a 83,75 centavos de dólar por libra-peso - o menor valor desde 17 de julho. Investidores continuaram a liquidar as apostas de que os preços subiriam, depois que a commodity caiu quase 10% na semana passada. Na opinião de analistas, a dificuldade do algodão em superar o patamar de 84 centavos de dólar pode indicar que os papéis estão suscetíveis a novas quedas. No oeste da Bahia, a arroba da pluma está sendo negociada por cerca de R$ 70, de acordo com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Fonte: Valor

Deverá ser publicada, no Diário Oficial da União, uma norma do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) que altera a forma como as empresas deverão discriminar, na nota fiscal eletrônica (NF-e), o percentual de componentes importados no produto final. O Convênio ICMS nº 88, assinado na sexta-feira pelos Estados e Distrito Federal, também prorroga para 1º de outubro a obrigatoriedade de entrega da Ficha de Conteúdo de Importação (FCI). O prazo anterior era amanhã.

 

Pelo texto encaminhado pela Secretaria da Fazenda de Minas Gerais ao Valor, o contribuinte não precisará mais colocar na nota fiscal "o percentual correspondente ao valor da parcela importada", apenas um código.

A informação do percentual não era obrigatória em todos os Estados. "Agora as empresas só vão declarar [o percentual de importação] via Código de Situação Tributária", diz o diretor-geral da Secretaria de Fazenda do Paraná, Clóvis Rogge.

Os códigos de situação tributária já existiam, foram apenas readaptados para cumprir a nova legislação. O contribuinte, por exemplo, que fabricar um bem cujo percentual de importação estiver entre 40% e 70% deverá informar na nota fiscal eletrônica que o código da mercadoria é três.

Por uma demanda dos contribuintes, segundo Rogge, o Confaz também decidiu adiar a entrega da Ficha de Conteúdo de Importação. No documento, os contribuintes deverão discriminar o valor dos componentes importados na mercadoria final. As informações, porém, serão sigilosas. A garantia foi dada pelos Estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, que anteriormente haviam repassado informações que davam a entender que todos os dados do documento fiscal seriam públicos, levando contribuintes à Justiça.

A emissão da FCI está prevista no Convênio ICMS nº 38, que disciplina alguns procedimentos previstos na Resolução nº 13 do Senado, que pretende acabar com a chamada guerra dos portos. A resolução fixou alíquota única de 4% para o ICMS em operações com mercadoria do exterior ou conteúdo importado superior a 40%.

Rogge representou o Paraná na reunião do Confaz na qual as alterações foram discutidas, realizada em Natal (RN). "Não tenho dúvida de que essa é a última vez que o prazo para a entrega da FCI será prorrogado", afirma o diretor-geral.

Para o advogado Marcelo Jabour, diretor da Lex Legis Consultoria Tributária, as mudanças são positivas para os contribuintes. "A solução já foi dada por meio dos códigos específicos. Não é preciso divulgar o percentual exato de importação", diz.

Jabour afirma ainda que muitos de seus clientes já estavam preparados para se adequar ao preenchimento da FCI. "A grande inconformidade era prestar informações acima do necessário", diz o advogado.

O advogado Thiago de Mattos Marques, do Bichara, Barata & Costa Advogados, diz que a obrigação de calcular o percentual de importação e preencher a FCI é difícil, principalmente para empresas que recebem insumos de muitos fornecedores diferentes. "Nos casos que se têm uma mistura de insumos nacionais e importados, o contribuinte enfrenta dificuldades para preencher a FCI", afirma.

A discussão sobre a discriminação na nota fiscal de dados sobre a importação começou após a edição do Ajuste Sinief nº 19, que obrigava o contribuinte a discriminar o valor do produto importado na nota. O ajuste, que foi questionado por meio de diversos processos judiciais, foi substituído pelo Convênio ICMS nº 38, que manteve apenas a porcentagem da importação.

Fonte: Valor Econômico

SÃO PAULO  –  O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) firmou dois convênios de incentivo à realização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil. Os Estados e o Distrito Federal já estão autorizados pelo órgão a importar materiais esportivos e barcos à vela para uso nas competições com isenção do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Nesta segunda-feira, foram publicados no Diário Oficial da União os Convênios ICMS nº 54 e 55 a respeito da benesse.

De acordo com o convênio 54, a isenção para a embarcação à vela somente se aplica às operações que estejam contempladas com isenção ou com alíquota reduzida a zero de Imposto de Importação (II) e de Imposto sobre produtos Industrializados (IPI), o que depende do governo federal. Além disso, o uso do barco no Brasil deve ser exclusivamente para os jogos olímpicos e paraolímpicos.

Já o convênio 55 determina a isenção na importação de materiais esportivos para uso nos jogos, assim como nacionais destinados ao treinamento e à preparação de atletas e equipes brasileiras. Serão beneficiadas as operações realizadas por órgãos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios e suas respectivas autarquias e fundações, por atletas das modalidades olímpicas e paraolímpicas, pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) e entidades nacionais de administração do desporto filiadas ao COB.

23 DE JULHO DE 2013
Por Laura Ignacio | Valor

A Câmara de Deputados do México aprovou ontem a maior reforma do setor energético em 75 anos, que abre a indústria petroleira ao investimento privado e coloca fim ao monopólio estatal.

Após uma tumultuada sessão de 20 horas, 353 parlamentares votaram a favor e 134 contra a reforma que modifica a Constituição e permite ao governo dar contratos e licenças a empresas nacionais e estrangeiras para que participem da exploração e produção de petróleo e gás. Até agora, a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) detinha o monopólio do setor. Será criado ainda o Fundo Mexicano de Petróleo, administrado com uma comissão encabeçada pelo Banco Central, que manejará a riqueza gerada pela renda petroleira.

 

Por alterar a Constituição, a reforma deve ainda ser aprovada por 17 dos 31 congressos estaduais. As chances de sucesso são grandes, pois o governista Partido Revolucionário Institucional (PRI) é dominante na maioria dos Estados.

Líderes da oposição de esquerda disseram que tentarão impulsionar uma consulta popular para tentar reverter a mudança.

A reforma é sensível a um país que nas últimas décadas viu a indústria petroleira como um símbolo de soberania e nacionalismo. O setor foi estatizado em 1938.

O México é um dos cinco principais exportadores de petróleo para os Estados Unidos, com mais de um milhão de barris por dia.

Depois de décadas de uma crescente produção, a Pemex tem enfrentado problemas nos últimos anos para sustentar a extração de petróleo e gás, o que levou a vários atores a considerar necessário fazer uma mudança profunda para revitalizar o setor.

A produção de petróleo no México teve seu ápice em 2004, com uma média de 3,4 milhões de barris diários. A partir de 2005, começou a decair até os atuais 2,5 milhões de barris.

Fonte: Associated Press /Valor

FRANKFURT - O sindicato GdF, que representa os controladores de tráfego aéreo da Alemanha, informou neste fim de semana que não conduzirá uma greve, conforme planejado, no dia 10 de outubro, depois de oficiais da Comissão Europeia terem concordado em encontrá-los para uma nova rodada de discussões.

A organização “guarda-chuva” dos sindicatos de controladores de tráfego aéreo na Europa anunciou no mês passado um “dia de ação”, em 10 de outubro, para protestar contra os planos da União Europeia de eliminar as fronteiras nacionais no céu e aumentar a eficiência.

A associação de sindicatos se opõe aos planos do comissário Siim Kallas, relacionados a segurança, desenvolvimento e eficiência de custo para o período de 2015 a 2019.

Organizações de controle de voo teriam de aumentar significativamente suas taxas ou cortar custos radicalmente para alcançar as metas de Kallas, disse em setembro Matthias Maas, chefe do sindicato GdF.

Os controladores argumentam ainda que o plano da União Europeia, conhecido como Céu Único Europeu, coloca em risco a segurança aérea.

(Dow Jones Newswires)
FONTE: VALOR

Simpatizantes do ditador Francisco Franco, morto em 1975, fazem a saudação fascista durante passeata em Madri

Uma série de incidentes que ganharam as manchetesnos últimos meses vem levando os espanhóis a fazer um exame de consciência sobre o legado do ditador Francisco Franco - e a possibilidade de que o extremismo venha a florescer num momento em que a Espanha atravessa uma profunda crise econômica.

Em meados do ano, vários espanhóis publicaram fotografias nas redes sociais em que aparecem empunhando bandeiras fascistas ou fazendo a saudação do nazismo. Em setembro, um grupo que se identifica como fascista invadiu um centro cultural em Madri que representa a Catalunha, região que foi reprimida durante a ditadura de Franco e agora é palco de um movimento político cada vez mais forte que quer sua independência da Espanha.

Uma semana depois, um juiz argentino solicitou a prisão de algumas autoridades de segurança do governo Franco por supostos crimes contra a humanidade. A decisão está em flagrante contraste com a passividade do judiciário da própria Espanha, que preferiu não punir os abusos do regime franquista para não perturbar a transição pacífica do país à democracia.

Agora, alguns receiam que "o Pacto do Esquecimento", como foi chamada essa recusa em confrontar devidamente o passado autoritário da Espanha, deixou a porta aberta para o surgimento do extremismo numa nova geração devastada por anos de crise econômica e um desemprego de 50% entre os jovens.

Esteban Ibarra, presidente do grupo Movimento Contra a Intolerância, disse que a Espanha está vivendo sua pior onda de extremismo de direita desde meados dos anos 90, quando o país também passou por uma crise econômica e política.

Em análise de 2012 divulgada recentemente, o grupo tabulou centenas de incidentes relacionados ao extremismo de direita. A maioria foram infrações menos graves, como pichações e discriminação no local de trabalho, mas há também uma tentativa de incendiar uma mesquita e o assassinato de um imigrante da Guiné que teve contornos racistas. Além disso, "houve um aumento impressionante na atividade extremista na internet, sites que são xenofóbicos, antissemitas, anti-islâmicos ou anti-catalões", disse Ibarra.

Os grupos de defesa dos direitos humanos reclamam da falta de estatísticas oficiais sobre crimes motivados pelo preconceito no país.

Um porta-voz do Ministério do Interior disse que embora a Espanha não tenha, como alguns países, uma agência dedicada exclusivamente a registrar e combater crimes extremistas, a polícia e as forças de segurança sabem quem são os potenciais infratores e monitoram atentamente suas ações.

Franco governou de 1939 até sua morte, em 1975, depois de ter derrubado um governo democrático e derrotado seus partidários numa guerra civil que custou meio milhão de vidas. Durante seu longo mandato, dezenas de milhares de opositores ao regime foram executados, dizem historiadores.

Em 1977, o parlamento da Espanha passou uma lei de anistia que impedia aqueles que fizeram parte da ditadura ou se envolveram em crimes da época da guerra civil, inclusive os que lutaram contra Franco, de serem processados. Desde então, muitos espanhóis que apoiavam Franco foram atraídos pelo Partido Popular, de inclinação conservadora, e começaram a assumir posições mais centristas. Essa tendência esvaziou uma possível fonte de eleitores para os partidos de extrema direita, dizem analistas.

O maior grupo neofascista da Espanha, a Alianza Nacional, tem um núcleo de 300 filiados - minúsculo quando comparado com o do grego Aurora Dourada ou do partido francês de extrema direita Frente Nacional, que já elegeram membros para cargos públicos.

Mas a absorção do legado de Franco pela política atual criou algumas contradições que atormentam a Espanha e o PP até hoje. Monumentos em homenagem a Franco e seus seguidores ainda estão espalhados pelo país, apesar de uma lei de 2007 encorajar autoridades a removê-los. "Este é o único país onde você pode ser democrata sem ser um antifacista", diz Rafael Escudero Alday, um professor de direito da Universidade Carlos III, em Madri.

Tal paradoxo ficou evidente na recente enxurrada de fotos de jovens ativistas do PP exaltando o fascismo. Numa dessas fotos, um vereador de uma pequena cidade posava ao lado do túmulo de Franco segurando uma faixa de apoio ao fascismo.

Beatriz Jurado, líder da ala jovem do PP, disse que o partido estava investigando as fotografias e se preparando para aplicar punições. Ela acrescentou que era lamentável que as pessoas estivessem tirando conclusões generalizadas baseadas na "atitude repreensível de três ou quatro pessoas numa organização de mais de 100.000 membros".

Enquanto as fotos eram debatidas, a Alianza Nacional irrompeu no centro cultural da Catalunha, em Madri, no dia 11 de setembro - um feriado regional catalão - e interrompeu a comemoração gritando "Catalunha é Espanha". Os invasores também teriam lançado uma bomba de gás lacrimogêneo.

O grupo não é filiado ao PP, que condenou a invasão. Vários suspeitos foram presos "em poucos dias", afirmou um porta-voz do Ministério do Interior.

No feriado nacional de 12 de outubro, cerca de 300 "ultras", como são conhecidos os militantes de extrema direita, fizeram uma manifestação em Barcelona, a capital da Catalunha, em que gritaram "separatistas, terroristas" e "esta é nossa terra e nós temos que defendê-la".

O líder da Alianza, Pedro Pablo Pena, chamou o evento de uma demonstração de patriotismo contra o governo pró-independência da Catalunha, que ele acusou de "fora da lei".

BUENOS AIRES  -  A presidente argentina Cristina Kirchner decidiu fundir as secretarias de Comércio Interior e Exterior do Ministério da Economia em um único órgão, que será denominado Secretaria de Comércio. Ele será ocupado pelo atual secretário de comércio interior, Augusto Costa.

Com a fusão, Cristina elimina o último núcleo de influência no setor do ex-secretário de Comércio Interior Guillermo Moreno, demitido no dia 20 passado. Moreno comandava indiretamente a secretaria de Comércio Exterior, responsável por todas as licenças formais e informais para importações, por meio de sua aliada Beatriz Paglieri, nomeada para um cargo de terceiro escalão no governo argentino.

Augusto Costa é homem de confiança do atual ministro da Economia, Axel Kicillof, e esteve reunido recentemente com o secretário brasileiro de Comércio Exterior, Daniel Godinho. Costa conduz as negociações para a proposta argentina dentro das discussões por um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

O novo secretário também está coordenando novos acordos de congelamento de preços que vigorarão a partir de janeiro para uma lista limitada de produtos. Costa também foi protagonista de novas restrições a importações argentinas, desta vez voltadas para o setor automotivo e de componentes eletrônicos, decididas em reunião nesta terça-feira.

A nomeação de Costa como secretário de Comércio foi publicada hoje no Diário Oficial.

Fonte: Valor
Por Cesar Felício | Valor

Usados na guerra, sistemas aéreos não tripulados ganham espaço no cotidiano das cidades para segurança ou trabalho. Rodney Brossart, dono de uma fazenda de 1.214 hectares em Dakota do Norte, é um definidor de tendências improvável. Em 2011, seis vacas de uma propriedade vizinha entraram em sua fazenda. Quando ele se recusou a devolver as vacas e impediu a entrada da lei em suas terras, a polícia solicitou um Predator (um veículo aéreo não tripulado) de uma base local da Força Aérea americana, que voou sobre sua fazenda para descobrir se Brossart estava armado.

No mês que vem, o fazendeiro será julgado por acusações de roubo, depois que uma corte rejeitou sua alegação de que ele foi submetido a uma "busca sem mandado". Mas ele já fez história como o primeiro cidadão a ser preso em solo americano com a ajuda de um drone - como são chamados no setor os sistemas aéreos não tripulados.

Armados com mísseis Hellfire, os drones se tornaram o símbolo da guerra global dos Estados Unidos contra o terrorismo. Operar um drone no país exige uma licença especial cuja concessão é criteriosa. Porém, o Congresso decidiu que, a partir de 2015, os drones deverão ter acesso ao espaço aéreo doméstico. Para seus defensores, isso equivale à criação do automóvel ou da internet - uma tecnologia poderosa capaz de transformar dezenas de setores da economia e mudar a ideia de distância.

Eles veem os drones, com um valor de mercado potencial de US$ 12 bilhões até 2023, como a chegada da era da robótica. "É como o lançamento do computador na década de 80, está no mesmo patamar", afirma Peter Singer, um acadêmico da Brookings Institution. "Ele apresenta muitos usos e aplicações diferentes, mas também levanta questões complexas."

Para os críticos, o advento dos drones domésticos traz a ameaça de um novo tipo de vigilância - uma versão exagerada da espionagem conduzida pela tecnologia, dramatizada recentemente pelas revelações de Edward Snowden sobre a Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês). "A maior das ameaças à privacidade dos americanos é o drone, seu uso e as poucas regulamentações que existem hoje", diz Dianne Feinstein, uma importante senadora pelo Partido Democrata.

Os drones apresentam as mais diversas formas e tamanhos. Os Predators e os Global Hawks, operados pelos militares, são quase tão grandes quanto um caça. Por outro lado, o Nano Hummingbird da Aerovironment tem uma envergadura de 16 centímetros. A Harvard University está desenvolvendo um robô voador do tamanho de um inseto chamado Robobee.

Chris Anderson, ex-editor da revista "Wired" e que hoje comanda a 3D Robotics, uma companhia que fabrica pequenos drones, diz que o setor de certa forma é "um subproduto da revolução do smartphone", que criou novas câmeras, sensores e dispositivos de localização que são ao mesmo tempo pequenos e baratos. "Os militares inventaram a internet, mas as pessoas a colonizaram", diz ele. "Queremos desmilitarizar e democratizar os drones."

Agências de aplicação da lei estão vendo os drones como uma alternativa muito mais barata aos helicópteros que elas usam em algumas operações. A polícia de Boston disse que gostaria de usar um drone para monitorar a rota da maratona da cidade depois que duas bombas explodiram na reta final da competição este ano.

Don Roby, um capitão da polícia de Baltimore e um dos maiores defensores dos drones, diz que a tecnologia poderia ser eficiente em operações de busca e resgate, para mapear cenários de crimes ou monitorar acidentes de trânsito. "Imagine que haja uma criança desaparecida em uma área pequena e confinada - esse é o tipo de coisa em que poderíamos usá-los", diz ele. "Comparado aos helicópteros, estamos falando de centavos de dólar para operar."

Entre as possíveis aplicações comerciais, a indústria do transporte de cargas é um dos candidatos óbvios. Nos últimos 18 meses, os fuzileiros navais americanos vêm usando um helicóptero não tripulado chamado K-Max para transportar cargas de até 2,7 mil quilos pelo Afeganistão, que despertou a atenção de empresas de logística como a FedEx e a UPS.

A Matternet, uma companhia iniciante, quer usar os drones para entregar medicamentos e outros bens essenciais em locais com infraestrutura rodoviária ruim. Os drones podem ser usados para detectar plantações ilegais de maconha, mas também poderiam dar um jeito na larica: entre os planos de negócios já propostos, está o de minidrones para entrega de burritos e tacos para estudantes.

Mas antes dessas ideias ganharem força, intensas preocupações políticas são despertadas com o impacto dos drones sobre a privacidade e o obstáculo previsto na Quarta Emenda da constituição americana, sobre "buscas e apreensões desmedidas". Após as revelações de Snowden, aumentaram as preocupações com os riscos à privacidade representados pela vigilância do Estado.

Os drones domésticos levantam muitas dúvidas sobre quando e onde o Estado pode monitorar as pessoas e como as informações são usadas. "Os drones aglutinam vários tipos de medos quanto a mudanças tecnológicas reais", diz Daniel Rothenberg, especialista em direitos humanos da Arizona State University. "Não aconteceu até agora, mas há potencial para intrusões profundas, escandalosas".

Os partidários dos drones dizem que houve o mesmo tipo de preocupação quando helicópteros e aviões pequenos foram usados pela primeira vez em áreas urbanas e que os abusos temidos por defensores da privacidade nunca se materializaram. Muitos Estados já têm leis contra assédio que poderiam ser aplicadas aos drones.

Executivos do setor dizem acreditar que os drones ganham mais visibilidade entre muitas formas de vigilância. "Nesta manhã, passei por 32 semáforos e 19 bancos, cada um provavelmente com uma câmera. Tenho GPS em meu carro e Bluetooth em meu telefone", diz Michael Toscano, presidente da AUVSI, o grupo lobista das empresas de drones. "Não é preciso um drone para rastrear meu paradeiro".

Alguns dos avanços tecnológicos em torno aos drones tornam as preocupações mais prementes. A Boeing desenvolve um drone, alimentado por painéis solares, que a empresa espera ter capacidade para ficar no ar por cinco anos. A BAE Systems desenvolveu um avião que opera com câmera de 1,8 bilhão de megapixels e pode filmar uma cidade média. A 5,3 mil metros de altitude, poderá detectar um objeto de 15 centímetros de largura.

Essas tecnologias ainda estão em fase experimental, mas demonstram o potencial para que os drones façam da vigilância permanente uma realidade. "Os drones são um lembrete muito mais visceral da situação de vigilância do que qualquer coisa que a NSA esteja fazendo", diz Ruan Calo, especialista jurídico em questões de privacidade na University of Washington.

Os dois lados do debate sobre os drones e a privacidade esperam que uma enxurrada de casos chegue à Corte Suprema nos próximos anos. Em geral, a corte vem julgando que a política de vigilância pelo ar não infringe a expectativa razoável de privacidade do cidadão. Em 2001, no entanto, a corte determinou que a polícia não podia usar equipamentos de imagens por calor em aviões pequenos para monitorar uma casa sob suspeita de plantio de maconha. Em 2012, a corte determinou que a polícia havia se excedido ao colocar um GPS no carro de um suspeito.

Para os defensores da privacidade, uma das questões mais complicadas seria o uso de drones por empresas privadas que vendem dados. Mesmo se regras rigorosas fossem aprovadas para reger as forças da lei, essas normas não se aplicariam a empresas que não estão sujeitas à Quarta Emenda.

Da mesma forma que o Google sabe mais sobre mais pessoas do que a NSA poderia sonhar, operadoras de drones privados poderiam monitorar e coletar informações de maneiras que o Estado não teria permissão. Os clientes desses dados poderiam ser agências do governo, mas também detetives particulares ou jornais sensacionalistas. "Qualquer restrição sobre a vigilância pelo governo não valerá nada se o governo simplesmente puder comprar a mesma informação de um grupo privado", diz Catherine Crump, advogada da American Civil Liberties Union (Aclu), que já trabalhou na defesa do direito de que cidadãos tirem fotos em lugares públicos.

Já há debates consideráveis na esfera estadual sobre os drones. Mesmo antes do vazamento de informações por Snowden, 42 Estados haviam estudado leis sobre os drones e o interesse sobre o assunto deverá crescer. A polícia de Seattle desistiu de planos para usar dois drones em missões de busca e resgate após a oposição pública.

Da mesma forma que no debate sobre a NSA, a oposição a drones vem unindo estranhos companheiros, desde a direita libertária até a esquerda favorável às liberdades civis - um novo segmento político que une críticos ao "establishment". A lei antidrone mais estrita foi aprovada na Virgínia, que instituiu uma moratória de dois anos em qualquer uso de seu espaço aéreo. O autor foi Todd Gilbert, um republicano conservador, acusado pela Aclu de intolerância contra os homossexuais. Quando chegou a hora de votar o projeto de lei antidrone, no entanto, Gilbert e a Aclu de Virgínia trabalharam juntos.

Tendo em vista o emaranhado de questões jurídicas diante das empresas de drones, alguns executivos dizem que, por agora, a maior demanda pelos aparelhos virá da agricultura. À medida que as fazendas ficam maiores, os drones poderiam monitorar as colheitas em busca de doenças ou danos, permitindo aos agricultores serem mais seletivos no uso de pesticidas e na irrigação. Pesquisadores desenvolvem sensores para identificar doenças em vinhas antes de atingirem as frutas. As fábricas de drones preveem que os agricultores responderão por 80% das vendas nos EUA dentro de dez anos.

"Quem iria reclamar de agricultores sobrevoando seus próprios campos?", pergunta Steven Gitlin, executivo da Aerovironment, cujos pequenos drones que podem ser usados na agricultura.

Por Geoff Dyrer | Financial Times, de Washington
Fonte: Valor

SÃO PAULO  -  A combinação de indicadores econômicos fortes vindos dos Estados Unidos e o dado mais fraco do que o esperado do indicador industrial (PMI, na sigla em inglês) chinês gerou um ambiente favorável à disparada do dólar e dos juros e à perda das bolsas no mundo. Esse movimento é seguido de perto pelo mercado local, em um pregão em que a liquidez reduzida dá margem a oscilações mais bruscas nos preços dos ativos.

O dólar iniciou o dia com ganhos expressivos em relação às principais divisas do mundo, sob efeito da leitura de que o ambiente econômico americano pode abrir espaço para uma ação mais firme do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) no processo de normalização da política monetária. Números divulgados à tarde corroboraram essa leitura. O ISM, indicador de atividade industrial americano, recuou de 57,3 pontos para 57 pontos em dezembro, acima da previsão dos analistas, que era de queda para 56,8 pontos – qualquer resultado acima de 50 pontos já significa expansão. Mais cedo, foi conhecido o número de pedidos de auxílio-desemprego, que caiu 2 mil, para 339 mil na semana, abaixo dos 345 mil esperados pelos analistas.

Na China, entretanto, foi mal recebido o PMI industrial medido pelo HSBC, que cedeu para 50,5 pontos em dezembro, de 50,8 em novembro. O número reforçou as perdas de divisas de perfil semelhante ao real. E é uma das explicações para a disparada do dólar pronto, que voltou a testar hoje o patamar de R$ 2,40.

Esse movimento do dólar, aliado à pressão permanente sobre os juros dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA), contribui para a alta dos DIs futuros nesta manhã. As taxas foram pressionadas também pela atenção com a inflação, que inicia o ano dando sinais de repique, de acordo com as coletas diárias de preços.

Nas bolsas, definem um dia negativo tanto a leitura de que a política monetária americana poderá ser revertida mais aceleradamente do que se imaginava como os dados da China, que acendem uma luz amarela para a perspectiva de recuperação da segunda maior economia do mundo. O Ibovespa acompanha o movimento externo e cai abaixo dos 51 mil pontos.

Câmbio

Às 13h04, o dólar comercial subia 1,52% cotado a R$ 2,3930 e o dólar futuro com vencimento em fevereiro avançava 1,38%. Os investidores seguraram um pouco as compras de dólares na semana passada em função da definição da Ptax do último dia do ano, que será utilizada para a correção dos balanços das empresas do quarto trimestre e também para a liquidação dos contratos futuros que vencem hoje, destaca José Carlos Amado, operador de câmbio da Renascença Corretora.

Lá fora, o Dollar Index, que acompanha o desempenho da divisa americana frente a uma cesta com as principais moedas, avançava 0,53%, depois da divulgação de dados positivos dos EUA.

No mercado interno, o ano começa com os ajustes no programa de intervenção diária no mercado de câmbio. Na segunda etapa do programa, que será estendido até 30 de junho, o BC reduzirá a oferta de dólares por meio de swaps (que equivalem à venda de dólar no mercado futuro) de US$ 2 bilhões por semana para US$ 1 bilhão, ou US$ 200 milhões por dia, e os leilões passam a ser realizados de segunda a sexta. Já os leilões de linha de dólar com compromisso de recompra deixarão de ser realizados todas as sextas, passando a ocorrer somente em momentos de demanda por liquidez no mercado.

Hoje, o BC vendeu integralmente a oferta de 4 mil contratos de swap cambial tradicional, em operação que funcionou como uma injeção de US$ 199 milhões no mercado futuro de dólar. O BC vendeu os contratos com vencimento em 2/5/2014 à taxa nominal de 1,4906% e taxa linear de 1,489%.

Segundo Amado, o mercado deve se ajustar neste início do ano à redução da oferta de dólares pelo BC. Hoje o BC informou que liquidou em dezembro, até o dia 27, US$ 3,300 bilhões por meio de leilão de linha com compromisso de recompra. Na última semana, encerrada no dia 27 de dezembro, o BC liquidou a venda de US$ 500 milhões, representado metade do total de US$ 1 bilhão ofertado no leilão de linha realizado no dia 20 de dezembro.

Juros

Os juros futuros iniciam o ano em alta firme, de olho no comportamento do mercado internacional mas também sob efeito da preocupação com o rumo da inflação local – tema que pressiona o mercado há meses. A volta da cotação do dólar hoje para o patamar de R$ 2,40 e o avanço dos juros dos Treasuries, além de salgadas coletas diárias de preços por aqui, definiram o rumo dos DIs. Operadores destacam, entretanto, que o baixo volume de negócios contribui para que as oscilações sejam mais bruscas hoje.

Às 12h54, DI janeiro/2017 operava a 12,36%, de 12,28% no ajuste anterior. Na máxima do dia, esse contrato tocou 12,41%. DI janeiro/2015 tinha taxa de 10,62%, de 10,58% (máxima de 10,65%).

Lá fora, a leva de indicadores econômicos americanos corroborou a visão de que há um processo de recuperação da economia do país, o que alimenta a tendência de alta dos juros dos Treasuries. Hoje, o rendimento do T-note de 10 anos tocou a máxima de 3,071%, enquanto o T-Bond de 30 anos chegou a ser negociado a 3,983%.

O cenário positivo da economia americana garantiu um dia de ganhos para o dólar no mundo, o que acabou pressionado também o câmbio local. Para o mercado de juros, as oscilações do dólar têm neste momento especial relevância na formação de preços, uma vez que cresce a visão de que o desempenho do câmbio pode determinar o rumo da política monetária. A permanência do dólar abaixo do patamar de R$ 2,40 pode permitir que o Banco Central encerre o ciclo de aperto monetário após subir a Selic em mais uma ou duas doses de 0,25 ponto. Mas, caso haja uma disparada da cotação, então altas adicionais podem ser necessárias.

A preocupação com inflação é outro elemento que marca a retomada dos negócios no mercado de juros. O ano começa com uma série de fatores, como a pressão de reajustes de preços no horizonte, depois que o governo decidiu segurar as correções de algumas tarifas públicas, como as do transporte. “Com os preços administrados congelados, começa a haver muita pressão para que esses reajustes ocorram, como tem havido em alguns municípios, que querem o reajuste das passagens de ônibus”, observa um operador.

O comportamento da coleta diária de preços reforça esse ambiente. Hoje, segundo informação de operadores, os números mostram um avanço de 0,79% do IPCA na ponta, ante 0,74% na coleta anterior. Os preços dos alimentos, como é normal para esta época do ano, têm grande contribuição nesse resultado: avançam 1,45%, ante 1,41% na amostra passada.

Além disso, a questão fiscal continua no centro das atenções. “Não há, até o momento, qualquer definição de meta fiscal, e isso é uma razão de desconforto”, diz um profissional.

Bolsa

O Ibovespa tem um dia de queda, afetado pelo PMI industrial da China. O índice caía 0,98% às 12h20, cotado em 51.002 pontos, em linha com as baixas na Europa e nos Estados Unidos. Em relatório com perspectivas para janeiro, o BB Investimentos diz que o indicador tem resistência em 52.500, 54.300 e 56.700 pontos. Os suportes estão em 49.800 pontos, 49.500 pontos e 47.100 pontos.

O diretor-técnico da Apogeo Investimentos, Paulo Bittencourt, diz que “esses dois pregões são meio encaixotados, com muitos investidores viajando”, o que restringe fortemente a liquidez e faz com que o início para valer dos negócios em 2014 seja postergado para a próxima segunda-feira. O giro financeiro era de apenas R$ 1,3 bilhão.

As maiores quedas do índice eram de Gafisa ON (-5,38%), Eletropaulo PN (-4,7%) e Brookfield ON (-4,34%). ALL ON perdia 4,26%.

Mercados internacionais

A queda do PMI da China em dezembro imprime um tom geral de cautela nos mercados de ações de todo o mundo, e Wall Street pode fechar em baixa no primeiro pregão do ano, algo que não ocorre desde 2008. O dólar e os juros dos Treasuries, ao contrário, tiveram uma manhã positiva em meio ao otimismo geral com os indicadores da economia americana – embora parte desse movimento tenha perdido, no início da tarde, um pouco de força.

O PMI industrial americano medido pela Markit subiu para 55 pontos em dezembro, o maior nível em 11 meses, e o índice ISM de atividade industrial caiu para 57 pontos em dezembro, ainda superando a previsão de 56,8 pontos. Os gastos com construção aumentaram 1,0% em novembro ante outubro, mais do que a previsão de alta de 0,8%.

Esses números completam o quadro geral da recuperação americana e ajudam a lembrar os investidores que, a partir deste mês, os estímulos monetários mensais do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já diminuem para US$ 75 bilhões. A tendência é que o BC americano vá cortando gradativamente o programa de compras de bônus ao longo de todo este ano.

Por isso, o dólar teve uma manhã de forte alta, principalmente na comparação com o euro. Às 13h10 (de Brasília), o euro caía para US$ 1,3654, depois de ter passado pela mínima intraday de US$ 1,3636; o dólar recuava para 104,78 ienes no mesmo horário, mas manteve-se a maior parte da manhã acima dos 105 ienes. Entre os Treasuries, o yield da T-note de 10 anos cedia para 2,989% no mesmo horário acima, mas no fim da manhã o juro chegou a 3,071%, o maior nível desde julho de 2011.

Às 13h13, o Dow Jones caía 0,55%, o Nasdaq cedia 0,73% e o S&P 500 operava em baixa de 0,56%. Entre as bolsas europeias, destaque para a queda de 1,23% em Frankfurt e de 1,30% em Paris.

Fonte: Valor
Por Lucinda Pinto, Aline Cury Zampieri, Silvia Rosa e Marcílio Souza | Valor

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre precatórios já começou a ser aplicada, mesmo sem a definição de a partir de quando passará a valer.

Em julgamentos realizados nos últimos três meses, os ministros da própria Corte e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiram o entendimento, firmado em 14 de março, sobre a inconstitucionalidade de duas regras previstas na Emenda Constitucional nº 62, de 2009: a aplicação da Taxa Referencial (TR) como índice de correção monetária das dívidas e o abatimento de débitos tributários dos precatórios. O STJ, inclusive, já autorizou o sequestro de bens do Estado de São Paulo para quitação de dívidas com um credor.

De acordo com advogados, as decisões dão segurança aos credores de precatórios, especialmente enquanto não é julgado o pedido de modulação dos efeitos do entendimento do Supremo, formulado por Estados e municípios. O objetivo é fixar um período de transição para Estados e municípios se adaptarem à decisão, que proibiu o pagamento parcelado em até 15 anos, e evitar prejuízos aos cofres públicos. "A modulação será para casos específicos, em que o fim do regime especial de pagamentos desorganize as finanças públicas. Mas o Supremo não autorizará o uso de dispositivos inconstitucionais", afirma o advogado Marco Innocenti, presidente da Comissão Especial de Defesa dos Credores Públicos - Precatórios da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Advogado Marco Innocenti: modulação dos efeitos da decisão do Supremo será para casos específicos.

Precatórios são dívidas do Poder Público reconhecidas judicialmente. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), juntos, Estados e municípios deviam no primeiro semestre de 2012 cerca de R$ 94 bilhões.

Em abril, com a notícia de que Tribunais de Justiça (TJs) tinham suspendido o repasse dos pagamentos por causa do vácuo legislativo, o ministro Luiz Fux determinou que, até o julgamento do pedido de modulação, os precatórios continuem sendo pagos pela sistemática anterior. Ou seja, pelas regras previstas na Emenda nº 62. Embora sem data marcada, Fux afirmou que levará a discussão a julgamento "o quanto antes".

Mas o entendimento já começou a ser aplicado pelos próprios ministros do Supremo. Ao julgar um caso de um credor do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), a ministra Cármen Lúcia reafirmou a posição da Corte de que a Taxa Referencial (TR) - que remunera a poupança - não serve para recompor a perda inflacionária da moeda. A Advocacia-Geral da União (AGU), que representa o INSS, recorreu da decisão.

No dia 27 de maio, o ministro Castro Meira, do STJ, proferiu decisão semelhante, favorável a uma credora da União que teve a indenização reconhecida pela Justiça por violação de direitos fundamentais. E foi além: determinou a aplicação do IPCA para atualizar o valor dos precatórios. A União recorreu da decisão alegando que a decisão do Supremo ainda não havia sido publicada. No dia 26 de junho, a 1ª Seção do STJ rejeitou o recurso.

Segundo o advogado da credora, Marcelo Pires Torreão, sócio do escritório Torreão Machado & Linhares Dias Advocacia e Consultoria, a diferença entre os índices de correção - IPCA e TR - seria, nesse caso, de R$ 167 mil. Com a decisão do STJ, fica reconhecido o direito ao pagamento de R$ 971 mil. Segundo Torreão, a dívida da União aumentou 43% só com juros e correção monetária de 2008, quando foi condenada a pagar a indenização, até maio de 2013, quando o precatório foi expedido. "A União recorreu nove vezes nesse caso. Se não tivesse entrado com tantos recursos, o valor final a pagar seria bastante inferior", diz o advogado.

Três dias após o julgamento do Supremo sobre o regime especial de precatórios, a ministra Cármen Lúcia proibiu também a Fazenda Pública de abater dívidas tributárias de um credor. O caso era de uma indústria de Santa Catarina. A empresa corria o risco de ter um precatório de R$ 60 mil represado pela União para quitação parcial de um débito fiscal de R$ 307 mil. "O contribuinte já está pagando a dívida pelo Refis da Crise", afirma o advogado da empresa, Reni Donatti, sócio do Chiela e Donatti Consultores e Advogados.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) não recorreu da decisão e o caso transitou em julgado em abril. "A modulação de efeitos da decisão do STF, caso ocorra, também será respeitada pela PGFN", diz o órgão em nota.

No STJ, o ministro Herman Benjamin autorizou o sequestro de bens do Estado de São Paulo para pagamento de um precatório de um ex-funcionário público, reconhecido definitivamente pela Justiça em 2007. O parágrafo 13 do artigo 97 da Emenda Constitucional nº 62 protegia de sequestro de valores os entes que quitassem os débitos pelo regime especial. "Em casos semelhantes, vinha deferindo as liminares pleiteadas para sustar o sequestro dos valores", afirma Benjamin na decisão, acrescentando que, com a decisão do Supremo, não haveria mais justificativa para a proteção.

Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo diz que discutirá o sequestro no julgamento de mérito do caso. "Além disso, até que haja a conclusão do julgamento [do STF] e publicação de sua ata, segundo nosso entendimento, permanece plenamente eficaz a vedação de sequestro prevista na emenda", acrescenta o órgão na nota.

Fonte: Valor

02/07/2013 às 00h00

Por Bárbara Pombo | De Brasília

Altera o Decreto nº 1.560 de 2013, que concede redução da base de cálculo do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação e Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na saída de suínos vivos originários do Estado.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA, no uso das atribuições privativas que lhe confere o art. 71, incisos I e III, da Constituição do Estado e considerando o disposto nos art. 43 e 98 da Lei n. 10.297 de 26 de dezembro de 1996,

DECRETA:

Art. 1º O art. 1º do Decreto nº. 1.560, de 22 de maio de 2013, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 1º Excepcionalmente, pelo período de 60 (sessenta) dias a contar da publicação deste Decreto, fica reduzida em 83,33% (oitenta e três inteiros e trinta e três centéssimos por cento) a base de cálculo do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) nas saídas interestaduais tributadas em 12% (doze por cento) de suínos vivos originários deste Estado.

................................................................................................................”(NR)

Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos retroativos a 24 de maio de 2013.

Florianópolis, 9 de julho de 2013.
JOÃO RAIMUNDO COLOMBO
Nelson Antonio Serpa
Antonio Marcos Gavazzoni

SÃO PAULO  -  A balança comercial dos Estados Unidos foi deficitária em US$ 34,3 bilhões em novembro, após déficit de US$ 39,3 bilhões em outubro (dado revisado), conforme o Departamento de Comércio americano.

As exportações somaram US$ 194,9 bilhões no penúltimo mês do ano e as importações, US$ 229,1 bilhões; em outubro, essas cifras corresponderam a US$ 193,1 bilhões e US$ 232,5 bilhões.

Em novembro, a balança de bens foi deficitária em US$ 53,9 bilhões e a balança de serviços acabou superavitária em US$ 19,7 bilhões.

Fonte: Valor

Preete, diretor da multinacional: produzir mais para um mundo cada vez maior. A demanda mundial por alimentos tende a seguir em ligeira expansão nos próximos anos e essa tendência pode prolongar o ciclo de preços elevados das commodities agrícolas, a despeito da curva de baixa observada nos últimos meses.

 

A avaliação é do vice-presidente executivo de estratégia global da multinacional americana Monsanto, Kerry Preete, que lembra que outros prognósticos de queda continuada dos preços já foram feitos no passado e que os atuais patamares seguem em geral favoráveis aos agricultores. E, conforme Preete, a produção também continuará em alta.

"Mesmo que existam pessoas que apostem na queda da demanda, sempre estaremos discutindo como produzir mais para um mundo cada vez maior", afirma. Para Preete, os constantes melhoramentos genéticos permitem que a produtividade continue em alta no mundo. A Monsanto é líder global no desenvolvimento de sementes transgênicas.

A Monsanto investe mais de US$ 1,4 bilhão por ano em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, ou cerca de 10% de seu faturamento global, que foi de US$ 13,5 bilhões no ano passado.

O cenário traçado por Preete vai contra as análises que sustentam que o atual ciclo de alta das commodities, inclusive agrícolas, pode estar com os dias contados. A tendência, segundo essa linha, é que a agricultura vai experimentar um longo período de "moderação", com maior equilíbrio entre oferta e demanda por alimentos e margens de lucro mais apertadas no campo.

Para Preete, mesmo que o ritmo de aumento demanda chinesa por carnes perca fôlego nos próximos anos, e que o mesmo aconteça com uso de milho para a produção de etanol nos EUA, por exemplo, o mercado não será prejudicado. De acordo com Preete e outros representantes de grandes grupos globais do setor de agronegócios, a população mundial ainda cresce e, consequentemente, estimula o aumento da produção de alimentos.

Para Pedro Dejneka, sócio e analista de mercado da PHDerivativos, a demanda é uma variável constante, e o que pode gerar variações nos preços são choques na oferta, principalmente por problemas climáticos. A atual falta de chuvas no Meio-Oeste americano, por exemplo, traz insegurança no volume que pode ser colhido de milho e soja e acaba puxando os preços para cima.

Por Tarso Veloso | De Saint Louis (EUA)
Fonte: Valor

O Brasil vai continuar dependente da importação de fertilizantes no longo prazo, mesmo com investimentos de US$ 13 bilhões programados pelo setor até 2018 visando aumentar a produção nacional.

A expectativa de analistas e executivos do setor é de que a demanda interna pelo produto continuará se expandindo nos próximos anos fazendo com que os investimentos apenas amenizem os volumes importados.

 

"Existe uma intenção dos empresários em reduzir as importações de fertilizantes porque a dependência externa é elevada, mas os investimentos programados não irão alterar a condição de importador líquido do Brasil", afirma Giovana Araújo, analista de agribusiness do Itaú BBA Securities. O Brasil importa, em média, 70% do nitrogênio, fósforo e potássio que o Brasil consome em fertilizantes, de acordo com dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Dos três insumos, a dependência maior de importação é do potássio, que beira os 93%. O Brasil produz 325 mil toneladas e consome 4,3 milhões de toneladas de potássio. Até 2018, a demanda deve subir para 5,2 milhões de toneladas e a produção se manter nos níveis atuais. Segundo o diretor executivo da Anda, David Roquetti Filho, há poucos investimentos de curto prazo na exploração de potássio. A Vale deve começar a produzir um novo sítio em Sergipe, mas a produção de lá vai substituir uma velha mina da Vale que está se esgotando, sem alterações significativas na produção.

Em relação ao fósforo, o Brasil produz 2,2 milhões de toneladas e consome 4,3 milhões de toneladas, precisando importar perto de 50% do total. A expectativa é de que em 2018 a produção atinja 4 milhões de toneladas ante uma demanda de 5,2 milhões de toneladas, reduzindo as importações para 23% do total. No caso do nitrogênio, a produção deve passar de 880 mil toneladas para 2 milhões de toneladas no período analisado, enquanto a demanda vai crescer de 3,5 milhões para 4,2 milhões de toneladas, com a necessidade de importação caindo de 75% para 55%. Roquetti ressalta que esta redução acontecerá se os investimentos forem concretizados e se novos projetos aparecerem. "Os investimentos têm que ser contínuos, senão voltamos a perder terreno para as importações", afirma.

Mas existem alguns entraves que podem ameaçar os investimentos. Segundo Jefferson Carvalho, analista do Food & Agribusiness Research do Rabobank, o cenário mundial é de excesso de aumento de produção de fertilizantes diante de uma desaceleração na demanda. "A China e a Índia reduziram seu consumo de fertilizantes em um momento de maior produção, fazendo com que os estoques mundiais cresçam e os preços caiam", diz. Para Giovana Araújo, com um cenário mundial de preços baixos, investimentos em produção no Brasil poderão ser postergados até que se tenha maior visibilidade de quando a relação entre oferta e demanda ficará mais justa. Para o presidente da unidade de fosfatos e nióbio da Anglo American, Ruben Fernandes, os investimentos em produção não devem ser adiados porque existe a demanda interna por fertilizantes deve ser fortalecida. (EM)

Fonte: Valor

O catarinense Darcirio Vronski chegou à Transamazônica Xingu em meados da década de 1970 e atualmente preside cooperativa de produção de orgânicos.

Às margens da rodovia Transamazônica , onde trafegar pelos trechos sem asfalto que se sucedem é sempre uma aventura, desponta o maior polo produtor de cacau no Pará. A cerca de 1.000 quilômetros a oeste de Belém, ou a duas horas de carro a partir do município de Altamira, a região, conhecida como Transamazônica Xingu, é encarada por produtores e indústrias quase como uma redenção, tendo em vista os problemas que afetam a cultura na Bahia. Dali sai 70% da colheita paraense - que, por sua vez, já representa mais de 30% do total nacional. E a tendência é que a expansão continue.

 

Os números escondem, porém, uma miríade de problemas que ainda têm de ser enfrentados para que a região aproveite as condições naturais favoráveis ao cultivo da commodity e possa ser plenamente beneficiada pela boa demanda e os atraentes preços atuais. Além dos entraves ambientais decorrentes do impacto de uma produção em maior escala, problemas trabalhistas e fundiários limitam o avanço das plantações, que também convivem com obstáculos relacionados à construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

O desenvolvimento da cacauicultura na Transamazônica Xingu teve início entre as décadas de 1970 e 1980, quando agricultores de todo o país foram atraídos pela terra-roxa da região. Era uma época em que as famílias assentadas recebiam apoio do governo para explorar a terra, e desmatar era uma obrigação. Poucos conheciam o cacau e era um caminho praticamente sem volta, mas as opções de que encarou a "saga" certamente não eram melhores.

O catarinense Darcirio Vronski chegou em 1976 à Medicilândia, hoje o maior município produtor de cacau da Transamazônica Xingu - e do país. Um ano depois levou a família, e em 1978 fez o primeiro plantio. Hoje ele produz em 30 hectares, com uma produtividade média de 1 quilo por pé. Sua colheita gira em torno de 28 a 30 toneladas por ano. Como quase todos os produtores de cacau do Pará, Vronski vive em um assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Em sua roça, trabalham a família e dois meeiros, além de mão de obra temporária durante a colheita.

Se não tem espaço para expandir significativamente a área de plantio, Vronski tem avançado em qualidade. Sua produção hoje é orgânica e a cooperativa que preside - a Cooperativa de Produtos Orgânicos da Amazônia (Coopoam) - faz parte de um programa que conta com o apoio de ONGs e da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). (ver matéria abaixo). O custo desse tipo de cultivo é maior, mas no ano passado ele vendeu a colheita de cacau do tipo 1, para exportação, com prêmio de 100% sobre o valor do produto convencional.

Diante das dificuldades, Vronski pode ser considerado um caso de sucesso. Mas nem todos que se arriscaram no Pará tiveram a mesma sorte, e os inúmeros obstáculos existentes limitam o desenvolvimento da cacauicultura no Estado. Não por coincidência, diz Paulo Henrique Fernandes dos Santos, coordenador regional da Ceplac da Transamazônica, a demanda pelas sementes distribuídas pela comissão caiu 40% este ano. De acordo com ele, ações como as realizadas pelo Ministério do Trabalho, por exemplo, ainda preocupam os agricultores na região.

Uma das queixas é que o Ministério do Trabalho vêm colocando na ilegalidade contratos de meação feitos nos moldes do que vigoram na Bahia, ainda o maior Estado produtor de cacau do país. Normalmente, esses contratos preveem a divisão da produção, em partes iguais, entre os agricultores e os meeiros. Conforme José Ribamar Miranda da Cruz, chefe da Inspeção do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Pará, esses contratos são reconhecidos, mas outros trabalhadores contratados durante a colheita não estão sendo considerados "objeto" de contrato - daí o problema. Mas este ano não houve nenhuma ação da superintendência em áreas produtoras de cacau, apenas de equipes volantes do ministério.

Segundo o chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do ministério, Alexandre Lyra, em 2013 foram realizadas três ações na região de Medicilândia. Em uma delas, foram lavrados 20 autos de infração, com contrato de meação descaraterizado e condições impróprias para os trabalhadores encontrados na fazenda. "Hoje é inviável contratar", afirma Jay Wallace da Silva e Mota, superintendente da Ceplac no Pará. A diária de um trabalhador custa cerca de R$ 50. As discussões sobre o tema prosseguem.

Na frente ambiental, o desmatamento ilegal não é o único problema. Produtores têm dificuldades em obter autorização mesmo para o desmate de 20% de suas áreas de produção, conforme autoriza o Código Florestal para o bioma amazônico. Para preparar uma área para o cacau, muitas vezes é preciso fazer um "raleamento" (quando um pouco da vegetação de grande porte é arrancada) para abrir espaço a bananeiras, por exemplo, que são capazes de gerar um sombreamento provisório para a amêndoa. Depois entram as "essências florestais", como mogno, ipê e copaíba, que fornecerão o sombreamento definitivo.

Apesar do cultivo em sistema agroflorestal, para uma área ser classificada como de "compensação ambiental" são necessárias, no mínimo, cinco variedades diferentes de essências florestais, diz Alino Zavarise Bis, agente de atividade agropecuária da Ceplac. Segundo Jay Wallace, mesmo que o cacauicultor tenha plantado o mogno, depois ele não pode ser cortado, por ser nativo do Pará.

Apesar das dificuldades - e desde que não seja ilegal, evidentemente -, a produção em sistema agroflorestal é capaz de melhorar a qualidade do solo, já que revolve a matéria orgânica que fertiliza a terra. Um lote de 100 hectares de cacau pode alcançar R$ 1 milhão na região. A renda bruta da cacauicultura em Medicilândia chega a R$ 5 mil por hectare, considerando um rendimento médio de mil quilos por hectare. Em uma propriedade de 15 hectares (tamanho médio na região), portanto, a renda chega a R$ 75 mil anuais.

Se há problemas ambientais e trabalhistas, no âmbito fundiário o cenário não é menos complexo. Conforme Santos, da Ceplac, há produtores assentados pelo Incra há 40 anos que não têm o protocolo da instituição. E, conforme Jay Wallace, o fato de 90% das terras paraenses serem federais e de o Estado não ter ingerência sobre assentamentos do Incra inibe investimentos de empresários.

Para Santos, em virtude das dificuldades existentes a meta do governo do Estado em duplicar a área de cacau para 220 mil hectares em 2019 está comprometida. O plano foi lançado em 2011, com a previsão de que a produção poderia chegar a 250 mil toneladas. A Secretaria de Agricultura do Pará projeta que a produção em 2014 vai superar 100 mil toneladas, ante as cerca de 90 mil previstas para 2013 e as 84 mil de 2012. Já as indústrias estimam que a safra é bem menor - 54 mil toneladas no ano passado.

Nesse contexto, a hidrelétrica de Belo Monte se tornou outro problema para a cacauicultura. Em boa medida, diz Zavarise Bis, pelos reflexos que a usina poderá ter na disponibilidade de mão de obra na região. Mas Jay Wallace afirma que a expansão está garantida, até porque 24 mil dos atuais 124 mil hectares plantados com cacau no Pará ainda não entraram em produção.

De acordo com a Norte Energia S. A, consórcio responsável pela usina de Belo Monte, 1.027 propriedades com cultivo de cacau estão nas áreas do reservatório, canteiros de obras e locais necessários para a estruturação do empreendimento. São pouco mais de 2 milhões de pés de cacau, em 2 mil hectares. O consórcio não informou o valor das indenizações que serão pagas aos produtores. De acordo com uma fonte, a indenização paga, que era de R$ 96 por pé de cacau, já diminuiu para R$ 46.

A jornalista viajou a convite da Harald

Fonte: Valor
Por Carine Ferreira | De Medicilândia e Altamira (PA)

Edgard Dutra, diretor da Metalplan, diz que a redução de custos permitiu oferecer preços mais flexíveis para os clientes da fabricante de compressores.

A desoneração da folha de salários ajudou os empresários a recuperar rentabilidade ou a reduzir preços na exportação e, com isso, recuperar clientes, mas ainda não fez diferença no volume ou no valor total exportado pelo país em bens manufaturados.

Empresários de diferentes ramos da indústria de transformação consultados pelo Valor beneficiados pela desoneração da folha de pagamentos relatam que a medida foi importante não só por ter reduzido os custos com mão de obra, mas também por ter elevado a competitividade das exportações. Estão nessa leva os setores de confecções e de calçados, que estão no regime desde o começo de 2012, e outros que entraram em agosto daquele ano. Na balança comercial do país, contudo, os resultados ainda não apareceram.

Calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), o coeficiente de exportações mostra que, na comparação entre o terceiro trimestre de 2012 e igual período de 2013, a participação das vendas externas no faturamento das indústrias desoneradas não subiu. Neste cálculo, não há informações separadas para o segmento de transportes (autopeças, ônibus e naval).

Por outro lado, segundo a Funcex, a rentabilidade das exportações aumentou em seis de sete setores analisados no mesmo período, mesmo com alguma redução de preços decorrente da depreciação cambial. Os maiores ganhos ocorreram nas indústrias de confecções (13%) e de couro e calçados (9,3%), que desde o início de 2012 deixaram de pagar os 20% sobre a folha salarial para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, em troca, passaram a contribuir com uma alíquota de 1% sobre o faturamento, excluindo-se a receita com vendas externas.

Em agosto do ano passado, entraram no regime de desoneração da folha os fabricantes dos ramos têxtil, plástico, material elétrico, máquinas e equipamentos mecânicos, móveis, autopeças, ônibus e naval.

Na indústria de máquinas e equipamentos, a fatia das exportações sobre o faturamento recuou de 19,1% no terceiro trimestre de 2012 para 17,3% no terceiro trimestre deste ano, mas a rentabilidade das vendas externas ficou 3% maior na mesma comparação. As empresas WEG e Metalplan afirmam que, para elas, o coeficiente de exportações manteve-se praticamente estável porque também houve crescimento doméstico no período.

"Tendo na bagagem um câmbio melhor e um custo menor, ficamos mais animados para essa briga", diz Antônio Cesar da Silva, diretor de marketing da WEG, que produz motores elétricos para eletrodomésticos e equipamentos para automação industrial, geração e distribuição de energia. Segundo Silva, a redução de custos com a desoneração melhorou as margens e criou mais "gordura" para negociar preços lá fora. Do total de receitas da WEG, diz ele, cerca de metade vem do mercado externo, com influência maior das exportações da WEG Brasil do que da produção das plantas internacionais.

Para Edgard Dutra, diretor da fabricante de compressores Metalplan, a redução de custos na ordem de 5% a partir da desoneração da folha foi útil para flexibilizar descontos aos clientes externos e assim, aumentar as vendas, já que, como a taxa de câmbio não permaneceu em R$ 2,40, não foi possível diminuir a tabela de preços de exportação de modo uniforme. "Na prática, ficamos mais competitivos", conta.

De acordo com Dutra, a participação das exportações no faturamento da Metalplan, atualmente em 10%, não aumentou este ano porque também houve uma expansão significativa no mercado interno, puxada pela recuperação dos investimentos observada no primeiro semestre. "Mas, em relação a 2011, já mais que dobramos as exportações."

No setor de autopeças, o vice-presidente da Zen, Nelson Zen Filho, avalia que a desoneração foi importante para elevar as vendas ao exterior no caso da empresa, que exporta 50% de seu faturamento, mas pode não ter ajudado tanto companhias em que esse percentual é menor. "Para nós, a desoneração ajudou a manter as vendas, porque não estamos exportando alguns impostos e custos a mais", disse. Como os concorrentes lá fora estão diminuindo preços, afirmou, a medida, ao lado de um patamar "mais apropriado" do dólar, permitiu uma negociação mais competitiva com as montadoras.

Já a Metagal, que fabrica retrovisores, não viu diferença nas exportações. Davi Candido, diretor da empresa, aponta que a desoneração não foi suficiente para elevar a fatia de exportações sobre o faturamento, de 5,5%, mesmo patamar de 2012. Ele relata que a maior volatilidade cambial aumentou os preços de insumos dolarizados, que não puderam ser repassados a clientes internos e externos porque o mercado está muito "resistente" a reajustes. "Para nós, o impacto da desoneração da folha foi zero", afirmou.

Na indústria plástica, o coeficiente de exportações caiu de 7,9% no terceiro trimestre de 2012 para 7,3% no mesmo período deste ano. Ainda assim, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho, avalia que a medida ajudou o setor a exportar mais e a recuperar parte do mercado interno.

Roriz explica que, com a sazonalidade mais fraca de fim de ano, as empresas do setor costumam demitir nessa época, o que parece não ter acontecido em 2013, ou, pelo menos, ocorreu em menor escala. "Como mantivemos funcionários mais treinados e qualificados, a competitividade e produtividade aumentaram."

O setor de móveis, que também exporta pouco na média, viu sua fatia de exportações em relação ao faturamento diminuir de 6,5% para 5,1% na mesma comparação. Na catarinense Butzke, porém, esse percentual passou de 17% na média de janeiro a novembro de 2012 para 19% no mesmo período de 2013, de acordo com o diretor comercial Michel Otte. Para Otte, a desoneração "amenizou" a diferença competitiva do Brasil com outros países que não cobram impostos sobre exportações, ajudando a Butzke a fechar negócios.

Fonte: Valor
Por Arícia Martins | De São Paulo

O convênio que permitiria a dezesseis Estados e o Distrito Federal conceder isenção de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na importação de bens de capital sem similar nacional foi rejeitado. A medida havia sido autorizada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), mas o Estado do Espírito Santo manifestou-se contrário.

Na prática, segundo o advogado Marcelo Jabour, diretor da Lex Legis Consultoria, a rejeição impede a ratificação nacional, necessária para o convênio entrar em vigor. Isso porque não haveria unanimidade e relação à aprovação da benesse por todos os Estados do país.

O Convênio nº 57, de 2013, recentemente publicado, foi a norma rejeitada. O Ato Declaratório nº 15, do Confaz, publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira, formaliza a rejeição.

A Secretaria da Fazenda do Espírito Santo foi procurada para explicar o motivo da rejeição, mas ainda não se manifestou a respeito.

Para o advogado Richard Dotolli, do escritório Siqueira Castro Advogados, se fosse possível a concessão do benefício, isso reduziria a utilização do porto do Espírito Santo, além de prejudicar o benefício fiscal concedido pelo governo capixaba para incentivar a indústria metal-mecânica do Estado.

Entre as máquinas abrangidas pelo convênio estão máquinas a vapor, compressores de ar, fornos industriais e equipamentos agrícolas, entre outros.

A isenção abrangeria também o devido de diferencial de alíquotas - diferença entre a alíquota interna e interestadual de ICMS - no caso de mercadoria adquirida de empresa de outro Estado. Além disso, também seria aplicada à importação das máquinas e equipamentos sobressalentes, as ferramentas e aparelhos e outras partes e peças destinadas a garantir a operacionalidade dos bens de capital principais.

Fonte: Valor
SÃO PAULO

SÃO PAULO  -  Analistas do mercado financeiro elevaram suas estimativas para a cotação do dólar ao fim deste e do próximo ano, de acordo com o Boletim Focus, do Banco Central (BC), que colhe projeções entre cerca de cem instituições.

A mediana das expectativas para o fim deste ano saiu de R$ 2,30 para R$ 2,33 e para o próximo, de R$ 2,40 para R$ 2,43.

Ainda no Focus, os analistas reduziram a projeção para o superávit da balança comercial neste ano, de US$ 1,25 bilhão para US$ 1,19 bilhão, mas elevaram a estimativa para 2014, de US$ 7,45 bilhões para US$ 7,85 bilhões.

As projeções para o ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) seguiram em US$ 60 bilhões para ambos os anos.

Fonte: Ana Conceição | Valor

SÃO PAULO  -  Os juros futuros e o dólar operam em alta firme nesta manhã, sob efeito do comportamento do mercado internacional. Dados mais fracos vindos da China e da França impulsionam ganhos do dólar em relação às principais moedas. Aqui, o volume de negócios reduzido acaba potencializando a reação da moeda americana. Segundo operadores, não há notícias de fluxo negativo de recursos.

Às 9h41, o dólar comercial avançava 2,30% para R$ 2,3970, enquanto o dólar futuro para fevereiro ganhava 1,89%, para R$ 2,4215.

Sob efeito do movimento do dólar e dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA), os juros futuros também operam em alta firme. O yield do T-note de 10 anos alcançou há pouco 3,026%, refletindo a visão de que a economia americana está em processo de recuperação, o que pode acelerar os passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) no processo de normalização da política monetária. Assim como no dólar, o giro é bastante reduzido, tornando o mercado mais suscetível a oscilações bruscas.

Às 9h43, DI janeiro/2017 era negociado a 12,38%, de 12,28% no ajuste de segunda-feira. DI janeiro/2015 operava a 10,62%, de 10,58% no pregão anterior.

Fonte: Valor
Por Lucinda Pinto | Valor

SÃO PAULO  -  O dólar devolve parte dos ganhos da semana passada, mas segue não muito longe de R$ 2,40, após bater R$ 2,39 na máxima de sexta-feira. A cotação sofre um ajuste de baixa em linha com o exterior, onde a moeda americana cedia em relação a uma cesta de divisas, influenciada pelo alívio no rendimento do título de dez anos do Tesouro dos EUA.

O mercado acelerou a queda após o horário previsto para o Banco Central (BC) acolher propostas para um leilão de 10 mil contratos de swap cambial tradicional, num total de US$ 500 milhões.

Pouco depois das 10 horas, o dólar comercial cedia 0,71%, para R$ 2,3700, depois de oscilar entre R$ 2,3810 e R$ 2,3730. O dólar para janeiro recuava 0,77%, a R$ 2,3735.

Fonte: Valor
Por José de Castro

O Brasil já não está "botando banca". As estimativas de crescimento para este ano colocam a maior economia na América Latina à frente apenas da Venezuela e de El Salvador, na região, e as perspectivas para o próximo ano não são muito melhores. A moeda brasileira, o real, caiu para seu nível mais baixo em relação ao dólar americano em mais de quatro anos, obrigando o governo a injetar bilhões de dólares no mercado futuro de câmbio e a elevar as taxas de juros para impedir fugas de capital - apenas alguns anos após impor um novo imposto para deter as entradas. Então, o que realmente está acontecendo no Brasil, e o que pode ser feito para assegurar um futuro próspero?

Certamente, o Brasil tem apresentado um desempenho muito bom segundo alguns indicadores de desempenho econômico ao longo da última década. Por exemplo, seus extensos programas sociais, associados ao crescimento passado do PIB, melhoraram acentuadamente a distribuição de renda no país.

No mesmo período, porém o crescimento anual do PIB foi, em média, de modestos 3,5%, e o crescimento da produtividade caiu em território negativo. A produtividade do trabalho no Brasil é um quinto da americana e inferior à mexicana e chilena. Como resultado, o Brasil pode não estar tão bem posicionado para tirar proveito de seu bônus demográfico (quando uma parcela crescente de pessoas em idade ativa cria novas oportunidades para o crescimento econômico), como acreditam seus líderes.

Nem o governo Lula nem o de Dilma absorveram a lição principal da ascensão do Leste Asiático: embora uma política industrial melhore o desenvolvimento, não é substituta para investimentos em infraestrutura, capital humano e setores focados em exportações

Um fator que limita as perspectivas do Brasil é a sua baixa produtividade, que pode ser explicada em parte por uma anêmica taxa de investimento de 18% do PIB - baixa para a América Latina e insignificante em comparação com o Leste Asiático. Investimentos insuficientes implicaram infraestrutura inadequada. Assim, apesar dos enormes gastos em estádios para a Copa do Mundo no próximo ano, os custos de logística permanecem elevados, minando a competitividade brasileira e limitando as perspectivas de crescimento do país. Enquanto isso, os escândalos de corrupção e frustração generalizada com a baixa qualidade dos serviços públicos estão alimentando o descontentamento social e reduzindo a confiança dos investidores.

O boom econômico brasileiro foi em grande parte resultado da disparada dos preços das commodities. Apesar de um esforço do banco de desenvolvimento do Brasil, o BNDES, no sentido de reforçar a competitividade e promover a formação de empresas industriais multinacionais maiores, a posição industrial do Brasil continuou a declinar. Embora o setor agrícola tenha exibido alguns ganhos de produtividade a partir de 2000, os altos custos de logística têm limitado seu impacto. O Brasil ainda está à procura de novos motores de crescimento.

O governo da presidente Dilma Rousseff, como o de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, claramente não absorveu a lição principal da ascensão econômica do Leste Asiático: embora uma política industrial possa melhorar o desenvolvimento econômico, não é substituta para investimentos em infraestrutura, capital humano e setores focados em exportações.

Apesar de o Brasil orgulhar-se de ter um sistema eficaz de arrecadação tributária e de seu banco central ter uma reputação de praticar uma política monetária prudente, recursos fiscais são desperdiçados em programas sociais e em despesas constitucionalmente obrigatórias que produzem baixos retornos devido à inadequada implementação pelo setor público. Por outro lado, os custos elevados dos empréstimos no mercado doméstico estão minando o investimento privado. De acordo com o Banco Mundial, o Brasil está na 130ª posição entre 185 países, em termos de facilidades para a atuação do empresariado.

Nesse contexto, o governo de Dilma Rousseff foi, talvez, temerário ao condenar o ingresso de "capital indesejável" nos últimos anos e de erguer barreiras a importações destinadas a proteger a indústria nacional, por assim prejudicar a concorrência no mercado. A estratégia mais prudente teria sido aumentar o investimento por meio de intermediação financeira para alocar esses recursos a empresas que estão sendo expulsas dos mercados de capitais domésticos devido aos custos excessivamente elevados dos empréstimos.

Na verdade, a abordagem do governo serviu apenas para agravar o problemas brasileiro de baixo investimento de capital, fraca concorrência e relativamente pouca inovação - problemas que impediram o país de alcançar os ganhos de produtividade total dos fatores nas duas últimas décadas. A maioria dos analistas de tendências agora estima as taxas de crescimento do Brasil bem abaixo do produto potencial. Se eles estiverem certos, será difícil manter os ganhos econômicos e sociais duramente conquistados na década passada.

Para evitar esse resultado, os líderes brasileiros deveriam incrementar a eficiência dos gastos do governo e usar os recursos liberados para alargar os gargalos de infraestrutura. O sucesso deveria ser medido de acordo com o impacto sobre, digamos, a qualidade da educação e a aquisição de competências, em vez de em relação ao nível obrigatório dos gastos públicos.

Além disso, os formuladores de políticas governamentais deveriam realizar uma reforma abrangente visando eliminar os privilégios das empresas nacionais e intensificar a competição, inclusive com empresas estrangeiras. A fim de aumentar a competitividade das exportações da indústria brasileira, a política industrial deveria apoiar a transição para produtos e serviços de alto valor. Para esse fim, os empréstimos do BNDES deveriam ser realocados - de empresas existentes para outras, inovadoras.

Um sucesso em todas essas áreas dependerá de efetiva implementação, monitoramento e cooperação entre governo e empresas. Nos próximos 10 a 15 anos, o Brasil terá uma tremenda oportunidade para capitalizar seu dividendo demográfico. A menos que o país alcance níveis suficientemente altos de produtividade e de crescimento, perderá sua oportunidade.

O setor de manufatura, que passou de 30% do PIB em 1980 para 15% em 2010, deve tornar-se um motor de inovação e de crescimento do PIB. Ao mesmo tempo, o setor de serviços em rápido crescimento - que responde por 90% dos novos empregos no Brasil - precisa ser mais produtivo, o que requer maior ênfase em serviços ligados à produção e às exportações.

Após uma década de reformas e contenção de gastos sob a presidência de Fernando Henrique Cardoso, na década de 1990, e de uma década de políticas que favorecem a inclusão social no governo Lula, o Brasil necessita uma década de crescimento econômico. Seu governo não tem tempo a perder. (Tradução de Sergio Blum).

Danny Leipziger, professor de Negócios Internacionais da Universidade George Washington e diretor da Diálogo para o Crescimento, foi vice-presidente do Banco Mundial e atuou como vice-presidente da Comissão Spence sobre Crescimento e Desenvolvimento. Copyright: Project Syndicate, 2013.

www.project-syndicate.org

Fonte: Valor

Nos primeiros cinco meses de gestão do ministro da Agricultura, Antônio Andrade, foram contratados 92 servidores para ocupar cargos de confiança na sede da Pasta. Este número representa cerca de 10% do total de comissionados contratados antes da posse do ministro em março. O PMDB, partido de Andrade, tem indicado as nomeações e substituído quadros técnicos.

Uma série de ofícios aos quais o Valor teve acesso mostra que o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), foi diretamente responsável por boa parte das indicações. Por meio do próprio site do ministério, é possível localizar documentos enviados em nome de Cunha com recomendações de nomes políticos para cargos técnicos de chefia.

"Dirige-se ao senhor ministro para encaminhar os currículos (em anexo) dos senhores Pedro de Camargo Neto, Flávio Braile Turquino e Rodrigo José Pereira Leite Figueiredo, com vistas a ocuparem diretorias na Secretaria de Defesa Agropecuária - SDA/Mapa," diz um dos documentos (21034.002873/2013-62).

Pedro Camargo não assumiu, mas os dois outros nomes apontados - Turquino e Figueiredo - foram empossados nas vagas de diretor da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) e do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), respectivamente. Turquino era gerente de exportação do frigorífico Big Frango e Figueiredo é advogado.

Outro documento com o mesmo teor (70000.003779/2013-23) indicou Marcelo Junqueira para assumir o cargo de secretário da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio. Ele foi confirmado posteriormente na vaga. Por ser funcionário de carreira da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Junqueira não foi tão contestado.

As nomeações acatadas pelo ministro desagradaram os funcionários do ministério, as entidades do setor como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e fiscais agropecuários que entraram em greve justamente contra a "ingerência política e empresarial na nomeação do novo secretário de Defesa Agropecuária". Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (ANFFA), Wilson Roberto de Sá, os grevistas estão "prontos para a guerra".

Apesar do grande volume de novos servidores nomeados pela gestão do PMDB, as áreas técnicas não receberam reforço, segundo os servidores de carreira do ministério. Dados dos fiscais agropecuários indicam que existem 771 profissionais para o controle de 3.251 estabelecimentos registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF). Além disso, eles reclamam que faltam fiscais no próprio ministério para dar andamento nos milhares de processos recebidos pela SDA.

A presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (PSD-TO), disse no mês passado que era contra a substituição do ex-secretário de Defesa Agropecuária, Enio Marques, promovida pelo PMDB. "Quero dizer que o dr. Enio, que tinha toda a qualidade para estar nesse local, foi demitido esta semana, e em seu lugar toma posse um senhor que não tem o menor conhecimento da área. [...] como obrigação de senadora e presidente da CNA, estaremos fiscalizando [...], para que nada aconteça com a questão sanitária brasileira", disse Kátia Abreu.

Procurado, o Ministério da Agricultura não quis se pronunciar. O líder do PMDB, Eduardo Cunha, também não respondeu aos pedidos de entrevista do Valor.

Fonte: Valor
Por Tarso Veloso | De Brasília

Por volta das 8 horas desta quarta-feira, o Terminal Embraport entrou em operação no Porto de Santos. As atividades comerciais da empresa começaram com a escala do navio Mercosul Manaus, a primeira embarcação mercante a atracar na instalação, localizada na Margem Esquerda (Guarujá) do complexo santista.

Originalmente, o início das operações estava previsto para esta terça-feira. Mas o Manaus acabou prolongando sua atracação no cais do Terminal de Exportação de Veículos (TEV), onde escalou antes de seguir para a Embraport.

De acordo com a assessoria da Embraport, na noite de terça, sua direção esperava que o cargueiro conseguisse deixar o TEV e atracar no berço 1 do terminal da empresa até esta manhã, iniciando suas atividades logo em seguida.

Ainda na terça-feira, estivadores e operários portuários protestaram contra a empresa, defendendo que fossem contratados por ela para as operações de carga. No início da noite, em Santos, representantes dos trabalhadores e do terminal se reuniram para negociar. As tratativas devem continuar nesta tarde.

O primeiro

A atracação do Mercosul Manaus é resultado do primeiro contrato do terminal com uma companhia de navegação, nesse caso, a Mercosul Line, braço do Grupo Maersk especializado no transporte marítimo de cargas de cabotagem (aquelas transportadas entre portos de uma mesma costa).

O acordo prevê escalas semanais no terminal. Depois do Manaus, o próximo a parar na instalação marítima será o Mercosul Suape, na segunda-feira que vem. No dia 15, virá o Log-In Jatobá e, no dia 23, o Mercosul Santos.

Para a Embraport, que recebeu do Ibama. no final de maio, a licença de operação da fase 1 do terminal, o primeiro mês é considerado de testes para que possa ser dado o próximo passo, que inclui o recebimento de contêineres de comércio exterior.

A movimentação dessas cargas integra um segundo contrato da empresa, cujos navios devem começar a escalar no mês que vem.

A instalação começa suas operações com dois berços (650 metros de cais) e uma retro área de 530 mil metros quadrados concluídos. A continuidade de suas obras, com o término do terceiro berço destinado a contêineres e a construção do ponto de atracação para granéis líquidos, dependerá da demanda do mercado.

A implantação da unidade representou um investimento de R$ 2,3 bilhões – R$ 1,4 bilhão em obras e R$ 900 milhões para a compra de equipamentos.

Fonte: Jornal a Tribuna

Em PE, expectativa de aumento na exportação de frutas anima. No Vale do São Francisco, fazendas se preparam para a colheita.

Produtores esperam repetir ou superar exportação do ano passado.

Cada detalhe da embalagem é conferido minuciosamente. O cuidado é para atender as exigências do mercado porque as uvas e mangas do Vale do São Francisco saem direto para as mesas dos consumidores americanos e europeus. Às vésperas de começar o trabalho de exportação de frutas, as fazendas da região estão em ritmo acelerado.

Em outra fazenda, no projeto irrigado Nilo Coelho, zona rural de Petrolina, 25 hectares são de uvas sem sementes para exportação. O agricultor Edis Matsumoto, que negocia com o mercado externo há 12 anos, conta que está otimista com a colheita e comercialização da fruta.

O cenário é reflexo da reação econômica que os países importadores têm apresentado com a alta do dólar e do euro nos últimos meses. De acordo com a Câmara de Fruticultura de Petrolina, esse é o motivo que anima os produtores de frutas do Vale do São Francisco. Além da valorização das moedas estrangeiras, a região vive uma boa fase que vem desde o ano passado, quando as exportações apresentaram bons resultados.

Em 2010 e 2011, o Vale exportou 60 mil toneladas de uva e no ano passado foram 52 mil. A expectativa deste ano é repetir ou superar esse volume. A comercialização da manga também promete. Se em 2012 foram exportadas 23 mil toneladas da fruta, este ano, a previsão é chegar a 30 mil toneladas.

O clima mais seco do Nordeste favorece as duas culturas e dificulta o surgimento de manchas e doenças que comprometem a qualidade do produto.

Fonte:Globo Rural

Apesar do otimismo do governo brasileiro que anunciou que o Brasil começaria a exportar milho "imediatamente" para a China após a assinatura do acordo fitossanitário entre os dois países em novembro, os produtores ainda não estão exportando o grão para os asiáticos. A falta de uma "lista de exportadores" ainda deve atrasar os embarques para os chineses.

 

Segundo uma fonte do Ministério da Agricultura, a lista é a última etapa necessária para colocar em prática o tratado assinado em novembro. O ponto principal já foi fechado, com a assinatura do acordo fitossanitário, que definiu alguns padrões de qualidade do produto a ser embarcado para a China.

Agora, a próxima etapa, que está sendo tocada pelo Ministério da Agricultura, prevê a elaboração de uma lista de interessados em exportar. Essa relação é necessária, segundo a fonte, para definir quem se enquadra nas exigências dos chineses. Com a falta da lista, portanto, os embarques seguem travados.

Os exportadores interessados e que cumpram as exigências devem se manifestar via entidades que os representam. Essas entidades estão coletando os pedidos. Em seguida, as associações devem encaminhar a lista do ministério, que a publicará. "Esse mecanismo vai ajudar o setor privado e o importador chinês a saber quem se enquadra nos padrões estabelecidos pelos acordo fitossanitário", disse uma fonte da Agricultura.

Somente com essa etapa concluída é que os importadores chineses poderão começar a fechar contratos com os exportadores nacionais. O ministério aguarda que mais dados sejam entregues para que a publicação seja feita.

"Já recebemos bastante informações das entidades que representam os produtores e exportadores de milho, mas estamos esperando um número maior de dados antes de publicar a lista final", afirmou uma fonte da Agricultura.

Atualmente, os chineses barram a entrada do milho brasileiro por meio de uma série de exigências válidas para o grão tipo semente, apesar de o Brasil insistir que exporta o grão para consumo. Apesar de o Brasil pedir a liberação há anos, o processo somente se acelerou nos últimos meses devido ao interesse dos asiáticos. De acordo com a FAO, a agência da ONU para agricultura e alimentação, o aumento das compras chinesas é uma das razões para a alta prevista de 13% das importações globais do milho em 2013/14.

Apesar da falta de uma lista, o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, tem dito que os brasileiros estão autorizados a exportar. Em entrevistas recentes e ao voltar da China, Andrade afirmou que os empresários brasileiros deveriam procurar compradores para o milho brasileiro. "A parte do governo, de propor a abertura do mercado, já foi feita. Agora é a vez do empresário negociar a venda", disse Andrade, na saída de uma reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em 26 de novembro.

A informação, porém, foi negada por fontes da área técnica da Pasta. "De fato ainda falta a publicação da lista, que já está sendo finalizada, e esperamos publicá-la o mais breve possível. Estamos aguardando uma maior adesão antes de publicar a primeira lista", disse a fonte.

A expectativa do governo é de que os embarques possam evoluir até alcançar cerca de 10 milhões de toneladas do grão por safra - o que, a preços atuais, agregaria cerca de US$ 2 bilhões às exportações do agronegócio nacional.

Fonte: Valor
Por Tarso Veloso | De Brasília

O mundo dos dados econômicos pode estar rumando para uma fase nova e substancialmente diferente.

Empresas privadas estão implantando novas tecnologias para reformular a abordagem , que já tem mais de meio século, para monitorar as variações na economia global, prometendo oferecer indicadores constantemente atualizados para orientar as grandes corporações, governos e fundos de hedge.

A mais recente a entrar no setor, Premise Data, é a primeira a criar dados da inflação em tempo real, recorrendo a centenas de pessoas, no mundo todo, que diariamente tiram fotos de prateleiras de lojas e carrinhos de supermercado para acompanhar as mudanças de preços.

A nova firma, com apoio dos investidores Google Ventures, Andreessen Horowitz e Harrison Metal, será apresentada hoje, depois de passar quase dois anos montando discretamente sua estrutura.

A Premise colocou em campo 700 funcionários com smartphones, em 25 cidades, para captar imagens de produtos, acompanhando a mudança diária dos preços. O software registra automaticamente a localização dos produtos e de cada loja e analisa as imagens de mercadorias como carne e verduras para medir as diferenças de qualidade. O usuário que visualiza as informações pode ampliar as imagens dos produtos em cada varejista, tornando assim o programa uma versão do Google Street View para prateleiras de lojas.

Os computadores da Premise também percorrem sites para capturar automaticamente os preços de lojas on-line, processo que ainda fornece cerca de 80% dos dados que a firma usa para criar indicadores de inflação em tempo real.

Em contraste, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos levanta dados de preços enviando seus funcionários para coletar o valor dos produtos uma vez por mês. As informações são então compiladas num relatório mensal de inflação.

Inovações tecnológicas como redes de abastecimento eficientes e entregas "just-in-time" "alteraram completamente a atividade econômica humana", disse David Soloff, fundador e executivo principal da Premise. "Contudo, os indicadores que as pessoas examinam pararam numa outra época."

Quando planejou a estreia da empresa, Soloff não sabia que o governo americano estaria entrando na terceira semana de uma paralisação parcial que suspenderia a divulgação da maioria dos dados econômicos oficiais. A briga política em Washington chamou a atenção para indicadores do setor privado, como uma medida muito conhecida de aumento salarial, produzida pela Automatic Data Processing, as tendências de gastos com cartões de crédito, coletadas pela MasterCard, e dados de habitação fornecidos por empresas privadas.

Mesmo quando o governo federal está funcionando normalmente, receber índices atualizados sobre o desempenho da uma economia pode deixar os usuários perplexos. Os relatórios sobre a inflação, o emprego e os gastos do consumidor, em geral baseados em "instantâneos" mensais, são divulgados com uma defasagem de semanas ou meses e podem ser corrigidos meses depois. Essas deficiências criam problemas para investidores e legisladores, que têm de agir em tempo real mesmo que a economia esteja mudando mais rápido do que os métodos existentes conseguem medir.

"Ainda há um elemento da Guerra Fria nas nossas estatísticas", disse Alan Krueger, professor da Universidade Princeton e ex-principal economista da Casa Branca, contratado como consultor da Premise há duas semanas. "Estamos numa espécie de compasso de espera. Em muitas situaç&o

Fonte: Valor
Por Sudeep Reddy | The Wall Street Journal

As dificuldades econômicas enfrentadas pela Venezuela estão afetando o comércio com o Brasil. O país petroleiro, que importa 70% dos alimentos que consome, enfrenta neste ano uma grave escassez de divisas, o que se reflete em um freio nas importações e, internamente, em falta de produtos básicos e em uma alta generalizada de preços.

As exportações brasileiras para a Venezuela entre janeiro e julho somaram US$ 2,324 bilhões, 15% a menos do que os US$ 2,758 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Em 2012, a Venezuela foi responsável pelo terceiro maior superávit comercial do Brasil com seus parceiros no mundo, de US$ 4 bilhões e só atrás da China e da Holanda.

Os números deste ano incluem a venda de seis aviões da Embraer para a estatal Conviasa, um negócio de US$ 271 milhões. Sem essa venda, contando apenas com setores mais tradicionais, como alimentos e medicamentos, a queda teria sido ainda mais drástica - de 25%, para US$ 2,053 bilhões.

Mas analistas afirmam, que esse fenômeno não se restringe ao comércio com o Brasil. Pelo contrário, eles veem nos dados do governo brasileiro mais um sinal da brusca queda esperada para as importações totais. O nível recorde de US$ 59 bilhões de 2012 deve cair para menos de US$ 50 bilhões neste ano.

No ano passado, o ex-presidente Hugo Chávez fez um grande esforço para evitar uma alta da inflação e a escassez de alimentos nos meses que antecederam a eleição presidencial de 7 de outubro. Assim, abriu os cofres para obras públicas, programas sociais e importações de produtos básicos.

As importações dispararam em 2012, enquanto a tradicional escassez de produtos foi atenuada. E a inflação fechou 2012 em 20,1%, patamar considerado baixo para os padrões venezuelanos.

A fatura, porém, chegou neste ano. Em meio à agonia de Chávez, que viria a morrer em 5 de março vítima de um câncer, o governo foi obrigado a promover um mini ajuste fiscal, com a desvalorização do bolívar de 4,30 para 6,30 por dólar - o câmbio é controlado no país -, o que por si só já encareceu os produtos importados.

A escassez de divisas fez disparar o dólar paralelo. Em outubro, a moeda era vendida por cerca de 12 bolívares nas ruas de Caracas. Ontem, segundo sites venezuelanos, passava de 34 bolívares.

Neste ano, os importadores começaram a se queixar do atraso na entrega de divisas por parte do governo para pagar seus fornecedores no exterior, inclusive os brasileiros. O problema foi atenuado com leilões governamentais de dólar, mas ainda em nível insuficiente para garantir um pleno abastecimento. "A falta de dólares golpeou sobretudo os importadores privados", diz o economista venezuelano Jesús Casique. "O governo consegue importar produtos que considera prioritários, mas a escassez é grande e a inflação disparou."

O índice de escassez medido pelo Banco Central atingiu em maio o nível recorde de 21,3%. Cedeu um pouco nos últimos meses, mas ainda está em níveis elevados, em 19,3%. Ou seja, um em cada cinco produtos está em falta nas prateleiras dos supermercados.

Nos sete primeiros meses do ano, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) já atingiu 29%, contra 8,6% no mesmo período de 2012. Analistas são unânimes em afirmar que o IPC fechará o ano acima de 40%. Alguns já falam em 50%.

Para o economista Luiz Pinto, pesquisador visitante da Columbia University, em Nova York, a Venezuela vive uma situação de deterioração econômica que tende a se aprofundar nos próximos anos. Isso decorre, em grande parte, da dependência dos venezuelanos em relação às exportações de petróleo, responsáveis por 96% dos dólares que entram no país. "Há desequilíbrios muito grandes que só têm como ser mantidos com um petróleo nos patamares atuais, a US$ 108. Mas a tendência é que o preço não se mantenha nesse nível", diz.

Fonte: Valor
Por Fabio Murakawa | De São Paulo

Por boa parte deste ano, os investidores viram o setor de commodities como um caso de evolução natural. O crescimento e a industrialização da China, propulsora do surto de expansão das commodities, que durou uma década, estavam desacelerando, segundo um consenso cada vez maior.

Os efeitos disso sobre as commodities industriais, como o minério de ferro, o cobre ou o níquel, seriam certamente sombrios. Os investidores recuaram, tirando dinheiro das commodities industriais e contribuindo para uma queda de 15% dos preços dos metais no primeiro semestre do ano.

Mas, nas últimas semanas, os sinais vindos da China melhoraram.

Dados de comércio exterior de julho mostram importações mensais recordes de commodities, de minério de ferro e petróleo a cobre e ferrocromo. A produção industrial das grandes empresas, um indicador fortemente ligado ao Produto Interno Bruto (PIB), subiu 9,7% em julho, em relação ao mesmo mês do ano passado, seu ritmo mais acelerado desde fevereiro.

Ontem, um dado prévio atentamente monitorado da pesquisa do HSBC apontou para crescimento do setor industrial da China, pela primeira vez em quatro meses.

Os números desencadearam uma reavaliação das perspectivas para a China e para as commodities em geral entre investidores anteriormente pessimistas.

"O sentimento, obviamente, virou", diz Grant Sporre, analista de metais do Deutsche Bank.

Colin Fenton, diretor de pesquisa de commodities do JPMorgan, diz que as commodities "irromperam num novo regime de risco".

De fato, o preço de muitas commodities industriais teve sólida recuperação desde o fim de junho.

O cobre para entrega em três meses subiu 7,8% na Bolsa de Metais de Londres (LME), os preços da platina aumentaram 14% e os do minério de ferro, 18,2%.

Mas, com poucos dados confiáveis sobre demanda de commodities na China, é difícil distinguir entre percepções e realidade.

Uma grande parte da mudança de sentimento se deve a uma reavaliação da economia chinesa pelos investidores, e não a uma mudança drástica das condições vigentes no país, dizem traders.

"Acho que a China não chegou a ficar tão mal quanto as pessoas pensaram. As pessoas andaram pessimistas demais por alguns meses", diz um trader de metais.

Ao apresentar os resultados semestrais esta semana, executivos da mineradora Glencore disseram que a demanda chinesa se manteve acelerada o ano todo. Kenny Ives, diretor de níquel da Glencore, prevê que a demanda chinesa por níquel crescerá 11% este ano.

"Se considerarmos a China como o principal mercado para o crescimento da demanda por níquel nos últimos dez anos, o crescimento que veremos em 2013 é melhor que o que vimos em qualquer momento desde 2007", disse ele.

Banqueiros dizem que boa parte da recuperação das commodities foi puxada pela cobertura de posições vendidas. A posição vendida líquida dos investidores em cobre nos EUA, por exemplo, caiu 75% desde o fim de julho, segundo a Comissão de Negociações com Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês).

Mas houve também alguns sinais de melhora da demanda final da China nos últimos meses.

Mike Henry, diretor de marketing da BHP Billiton, a maior mineradora do mundo, disse a investidores esta semana que a produção chinesa de aço superou sua previsão devido ao "sólido investimento e à sólida construção civil".

Os indicadores do mercado físico também estão revelando solidez, com os ágios sobre o cobre - o preço pago acima dos contratos futuros referenciais - tendo subido para patamares recorde.

Será que a melhora do sentimento chinês - tanto no próprio país quanto no exterior - prenuncia uma nova alvorada para os preços das commodities? Alguns traders estão cautelosamente otimistas, e banqueiros dizem que os investidores começaram a recuperar parte de seu entusiasmo.

"Está um pouco otimista para o restante do ano", disse um destacado trader de metais. Telis Mistakidis, diretor de cobre da Glencore, prevê a intensificação da demanda pelo metal no segundo semestre do ano.

Mas muitos continuam com as barbas de molho. Apesar de a demanda chinesa nunca ter sido fraca o suficiente para atingir as expectativas dos investidores mais pessimistas, poucos discordam de que a China esteja rumando para um crescimento mais lento.

"A China está apenas se normalizando", diz David Wilson, analista de metais do Citigroup. "O país ainda será um importante consumidor. Mas a demanda não terá uma aceleração extraordinária."

De todo modo, o enfraquecimento da demanda chinesa foi apenas uma parte da narrativa pessimista: os investidores também previam aumento da oferta.

"A realidade é que simplesmente temos mais oferta", diz Sporre, do Deutsche Bank. "A demanda está boa, mas não o suficiente para neutralizar os efeitos dessa oferta."

Duncan Hobbs, analista de commodities do Macquarie, observa que, mesmo com a demanda sólida dos últimos meses, o preço de commodities não negociadas em bolsa, como manganês e cromo (às quais os investidores financeiros têm pouco acesso) caiu.

"Os investidores devem estar decepcionados pois os preços não se mostraram mais resistentes em resposta à sólida demanda chinesa. Para conseguir reação dos preços, precisamos de uma demanda ainda maior da parte da China."

Por fim, apesar da sólida demanda chinesa neste momento, ainda há riscos no horizonte. A turbulência que assola os emergentes vizinhos da China na Ásia poderá abalar facilmente a confiança dos traders chineses. Como diz um trader: "Não dá para dizer que as pessoas não vão ficar bem pessimistas de novo".

Fonte: Valor

Colheita de conilon deve ser 17% menor nesta temporada devido às condições climáticas no ES. Safra 2013/2014 deve colher 12,14 milhões de sacas de café conilon; ES, BA e RO são os principais estados produtores da variedade.

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé)projeta, para a safra 2013/2014 – iniciada este mês-exportações de 32,5 milhões de sacas de 60 kg, ou 6% a mais do que o ciclo anterior. Esse volume, somado a umconsumo nacional próximo a 21 milhões de sacas, demonstra que a demanda pelo café brasileiro poderá superar em quase seis milhões de sacas a produção na atual temporada, contradizendo as especulações sobre excesso de oferta, segundo avaliação do Conselho Nacional do Café (CNC).

Os embarques de café do Brasil na temporada 2012/2013, que se encerrou em junho, totalizaram 31,1 milhões de sacas, 3,2% superiores em volume, mas 24% menores emreceita no comparativo com o resultado da safra anterior, segundo o Informe Estatístico do Café, do Ministério da Agricultura.

Com o início do Ramadã (mês sagrado para os muçulmanos), em 9 de julho, as vendas de café da Indonésia perderam força, contribuindo para a elevação das cotações do conilon.

A previsão da safra 2013/2014 de café do Brasil foi revisada para baixo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2,2 milhões de sacas, frente ao levantamento de junho. Agora, o IBGE estima que serão produzidas 47,5 milhões de sacas de 60 kg, volume 7% inferior ao colhido no ciclo cafeeiro 2012/13. A safra da variedade robusta é responsável pela principal quebra (de 17%) por causa das condições climáticas desfavoráveis noEspírito Santo. Para o grão arábica, a redução será de 4,9%, resultante da bienalidade.

Fonte: Globo Rural On-line
*Com informações do Conselho Nacional do Café (CNC)

SÃO PAULO E RIO  -  A receita com as exportações brasileiras de carne de frango  subiu 3,4% no ano passado sobre 2012 e alcançou US$ 7,966 bilhões , informou há pouco a União Brasileira de Avicultura (Ubabef). Em volume, houve uma queda de 0,7% em  2013, quando as vendas externas somaram 3,891 milhões de toneladas.

No mês de dezembro passado, os embarques caíram 4,4% na comparação com o mesmo período de 2012, para  324 mil toneladas. Também houve queda na receita, de 13,9%, para US$ 616,8 milhões.

Em nota, o presidente da Ubabef, Francisco Turra, disse que “apesar do desempenho do setor em dezembro, o ano de 2013 se consolidou como um período de recuperação da avicultura, após uma das maiores crises de sua história”.

Ele observa, na nota, que no primeiro semestre do ano passado, as exportações do setor ainda sofriam os impactos da crise de 2012, com média mensal exportada de 315 mil toneladas.  No segundo semestre, acrescenta, houve recuperação no ritmo das vendas externas,  com média de 333,62 mil toneladas exportadas ao mês.

Fonte: Valor
Por Alda do Amaral Rocha